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domingo, março 22, 2026

China rebate unilateralismo e mira superávit de US$ 1,2 tri

China rebate unilateralismo e mira superávit de US$ 1,2 tri

PEQUIM – Em plena transmissão pela Record, o premiê Li Qiang usou o Fórum de Desenvolvimento da China para acusar o “unilateralismo” de travar o comércio mundial e, ao mesmo tempo, anunciou uma abertura “sem precedentes” a investidores estrangeiros, justamente no momento em que o país registra superávit histórico de US$ 1,2 trilhão.

  • Em resumo: Gigante asiático promete igualdade de tratamento a multinacionais para reduzir atritos com EUA e UE.

Por que o superávit preocupa Pequim

O saldo recorde, embora positivo para a balança, alimenta críticas de parceiros que veem sobrecapacidade chinesa pressionando indústrias locais. Dados do Banco Central mostram que desequilíbrios prolongados costumam disparar barreiras tarifárias, cenário que o governo Xi tenta evitar.

Nesse contexto, Li enfatizou que “não há intenção de desvalorizar o yuan”, ecoando o presidente do banco central Pan Gongsheng, que citou o alto déficit em serviços para relativizar o ganho nas exportações.

“Precisamos olhar bens e serviços juntos, não só a conta corrente”, frisou Pan, alertando que a distorção cambial não será usada como arma competitiva.

Investimento estrangeiro em queda livre

Apesar do gigantismo do mercado, o Investimento Estrangeiro Direto tombou 5,7 % em janeiro, após recuo de 9,5 % em 2025. Para reverter o fluxo, 200 setores ganharam incentivos que vão de isenção fiscal a prioridade no uso de terrenos, com foco em manufatura avançada, serviços modernos e tecnologias verdes.

O ministro do Comércio, Wang Wentao, garantiu a executivos farmacêuticos norte-americanos que haverá reforço na proteção de patentes e “transparência total” nas regras. A sinalização ocorre enquanto Donald Trump adia visita a Xi Jinping, mantendo a tensão comercial em compasso de espera.

Especialistas lembram que, historicamente, ciclos de abertura chinesa coincidiram com picos de crescimento global, como na entrada na OMC em 2001. Resta saber se a estratégia atual reduzirá a dependência mundial de componentes “made in China” ou apenas recalibrará a cadeia.

O que você acha? A nova rodada de incentivos será suficiente para atrair capital estrangeiro ou o impasse geopolítico falará mais alto? Para mais análises de economia, acesse nossa editoria especializada.


Crédito da imagem: Divulgação / Reuters

Marta Silva
Marta Silva
Atuo como jornalista independente, desenvolvendo conteúdos informativos com olhar crítico e apuração responsável. Meu trabalho é guiado pela busca por fatos relevantes, contexto claro e informação confiável para o leitor.
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