R$1 bi na mesa: Fleury e Porto disputam fatia da Oncologia
Fleury – O grupo de medicina diagnóstica anunciou, nesta segunda-feira (23/03), que aderiu ao acordo preliminar que envolve Oncoclínicas e Porto Seguro para formar uma nova empresa focada em tratamento contra o câncer, potencialmente absorvendo até R$ 2,5 bilhões em dívidas da parceira.
- Em resumo: Fleury e Porto querem colocar R$ 500 mi cada e ficar no controle da futura gigante oncológica.
Como será a injeção de R$1 bilhão
O plano prevê um aporte inicial de R$ 1 bilhão, além de um empréstimo conversível de igual valor, remunerado pelo CDI — índice balizado pelos dados do Banco Central — com prazo de até quatro anos. Caso o negócio avance, a nova companhia nasce com clínicas já operadas pela Oncoclínicas, mas sob gestão compartilhada de Fleury e Porto.
A negociação, ainda em estágio inicial, estabelece 30 dias para due diligence, avaliações internas e submissão aos órgãos reguladores, incluindo Cade e ANS.
“As empresas têm um prazo de 30 dias para negociar os termos finais”, informou o Fleury em comunicado ao mercado.
Por que o mercado está de olho
Com cerca de 704 mil novos casos de câncer estimados pelo INCA para o triênio 2023-2025, o Brasil vê a demanda por serviços oncológicos crescer em ritmo de dois dígitos. Até 2030, o setor privado pode movimentar mais de R$ 30 bilhões anuais, segundo projeções da consultoria IQVIA.
Para a Porto Seguro, que já opera planos de saúde, a entrada em clínicas especializadas amplia cross-selling e fideliza beneficiários de alta complexidade. Já o Fleury fortalece seu ecossistema, que vai de exames de imagem à terapêutica, numa estratégia de “one-stop shop” médica.

Se autorizado, o acordo também abre espaço para consolidação: a nova empresa nasce alavancada, mas com estrutura para captar recursos no mercado de capitais ou atrair fundos estrangeiros, tendência que ganhou força após a pandemia.
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