R$ 500 mil por vaga: PF expõe megaesquema em concursos
Brasília – Uma investigação da Polícia Federal detalhou como quadrilhas altamente organizadas driblam a segurança dos maiores concursos do país, vendendo aprovações por valores que chegam a meio milhão de reais e comprometendo a confiança no serviço público.
- Em resumo: aparelhos implantados no corpo, “bonecos” e vazamento de provas alimentavam um mercado clandestino milionário.
Cirurgia, ponto eletrônico e o “boneco” que faz a prova
Os agentes descobriram candidatos com microdispositivos cirurgicamente inseridos no ouvido, possibilitando a recepção de respostas em tempo real. Além disso, falsários assumiam a identidade dos inscritos – tática conhecida como “boneco”. Em vários casos, câmeras eram desligadas e fiscais subornados para facilitar a troca de pessoas.
Segundo especialistas ouvidos pela PF, os valores variavam conforme o cargo: para auditor fiscal, o pacote completo podia custar até R$ 500 mil. A forma de pagamento incluía dinheiro vivo, veículos e até viagens internacionais, prática semelhante a golpes financeiros mapeados pela Febraban.
“O lacre é fácil demais, tanto romper e botar de novo”, descreveu Waldir Luiz de Araújo Gomes, funcionário de banca organizadora flagrado em áudio.
Impacto nas bancas e novas barreiras de segurança
Para conter fraudes, a atual edição do Concurso Nacional Unificado adotou códigos de barras exclusivos em cada página de prova, detectores de metal até nos banheiros e escolta policial contínua do material. A participação das Polícias Militar, Rodoviária Federal e Força Nacional foi ampliada, criando um cordão de segurança inédito.
Apesar do reforço, especialistas alertam que o crime se adapta rapidamente. Historiadores lembram que esquemas semelhantes já foram desmantelados nos anos 1990, mas voltaram mais tecnológicos, explorando falhas de fiscalização intermunicipal e o alto valor social associado à estabilidade do funcionalismo.

Caso a fraude seja confirmada, os aprovados ilegalmente podem perder o cargo, responder por organização criminosa e lavagem de dinheiro, além de ressarcir os cofres públicos. A pena para fraude em concurso, prevista no artigo 311-A do Código Penal, chega a oito anos de prisão.
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Crédito da imagem: Divulgação / TV Globo
