Só 360 jogadoras: Formiga cobra segurança no futebol feminino
Brasília/DF – À frente da Diretoria de Políticas de Futebol Feminino do Ministério do Esporte há três meses, a lendária volante Formiga disparou um alerta: com apenas 360 atletas profissionais registradas no país, a modalidade corre risco de estagnar se não houver investimento em estrutura e segurança para meninas e mulheres que sonham com o gramado.
- Em resumo: Brasil tem 83 vezes menos jogadoras que jogadores; ambiente seguro é a principal reivindicação.
Barreiras que começam na base
Formiga lembra que o futebol feminino foi proibido no Brasil de 1941 a 1981, herança que ainda ecoa nos campos. Hoje, enquanto a CBF conta quase 30 mil atletas homens profissionais, são só 360 mulheres – dado que revela um abismo estrutural. Segundo a ex-jogadora, sem categorias de base consolidadas em todos os estados, “vamos avançar pouco”.
O diagnóstico bate com o que mostram estudos do Atlas da Violência: a falta de espaços esportivos seguros aumenta a vulnerabilidade de meninas, afastando-as do esporte e, em muitos casos, expondo-as à violência urbana.
“Precisamos de segurança para atletas, treinadoras, árbitras e diretoras. Talento temos de sobra, falta acolhimento”, reforçou Formiga.
Meninas driblando o preconceito
O recado chega na mesma semana em que a meio-campista Isadora Jardim, 14 anos, relatou deixar o Distrito Federal para treinar no Corinthians em São Paulo. Convocada para a Seleção sub-15, ela se tornou símbolo de uma geração que enfrenta comentários como “futebol não é para mulher” e, ainda assim, persiste.
Embora clubes paulistas concentrem 60% dos investimentos no futebol feminino, levantamento da Universidade do Futebol indica que estados do Norte e Nordeste recebem menos de 10% das verbas públicas e privadas destinadas à modalidade. O Ministério do Esporte estuda replicar o modelo paulista em federações regionais, vinculando licenças masculinas à manutenção de elencos femininos.

Voz feminina nas arquibancadas e nas cabines
Fora das quatro linhas, a narradora Luciana Zogaib lembra que o rádio brasileiro completou 100 anos praticamente sem mulheres nas cabines. Ao ganhar prêmio no festival Cinefoot, ela afirmou que vozes femininas “abrem mercado” e fortalecem a percepção de que o futebol também é território delas.
Para especialistas, representatividade cria ciclo virtuoso: quanto mais mulheres visíveis como atletas, técnicas ou comunicadoras, maior a atração de patrocinadores. O Banco Central, por exemplo, calcula que o faturamento de eventos esportivos com presença feminina relevante cresce até 18% ao ano – ritmo superior ao do futebol masculino no mesmo período.
O que você acha? Investir em segurança e base é o passo que faltava para alavancar nossas craques? Para acompanhar outras pautas esportivas, acesse nossa editoria de Esportes.
Crédito da imagem: Fernando Frazão / Agência Brasil
