Brasil usa biocombustível para driblar petróleo a US$110
Brasília – Mesmo com o Brent voltando a superar US$ 110 após o bloqueio do Estreito de Ormuz, o Brasil aparece “em posição quase única” para amortecer o choque, segundo análise publicada pela revista britânica The Economist em 26 de março.
- Em resumo: frota flex e mistura obrigatória de 30% de etanol e 15% de biodiesel criam um “escudo” contra a disparada dos combustíveis fósseis.
Como o etanol virou arma estratégica
A revista relembra que o país, ainda nos anos 1970, transformou o excedente de cana-de-açúcar em etanol para escapar do primeiro embargo árabe. Deu certo: hoje, o Brasil possui a indústria de biocombustíveis considerada “mais sofisticada do mundo”. Só na safra 2025, a colheita de cana deve passar de 620 milhões de toneladas, mostram dados do IBGE.
Graças a décadas de incentivo, três quartos dos carros leves rodam com qualquer mistura, o que permite alternar entre gasolina pura e etanol 100% dependendo do preço na bomba.
“O Brasil tem uma arma secreta contra choques do petróleo”, escreveu a The Economist.
Impacto no bolso e no clima
Desde o início da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã em 28 de fevereiro, a gasolina subiu 10% nos postos brasileiros e o diesel, 20%. Nos EUA, a alta chega a 40%. A diferença, destaca a revista, está justamente no etanol e no biodiesel, que reduzem a dependência de importações.
Além de proteger o consumidor, o governo mira a agenda ambiental. Programas como o RenovaBio estimam corte de até 10% das emissões nacionais até 2030 ao ampliar a produção de combustíveis limpos – alívio que não sacrifica o agronegócio, principal fornecedor de matéria-prima.
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