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sexta-feira, março 27, 2026

Mel de R$ 600: por que abelhas sem ferrão valem ouro

Mel de R$ 600: por que abelhas sem ferrão valem ouro

Brasília/DF – Um litro do mel produzido por abelhas sem ferrão pode custar até R$ 600, quase 13 vezes mais que o mel comum vendido nos supermercados. A raridade do produto, associado a notas sensoriais cada vez mais disputadas por chefs, ajuda a explicar a escalada de preço que desperta curiosidade — e controvérsia — entre consumidores.

  • Em resumo: colônias pequenas e produção limitada fazem o preço disparar.

Por dentro do valor: produção baixa e sabor disputado

A pesquisadora Fábia de Mello, da Embrapa, lembra que a abelha-africanizada — a mais popular no país — rende cerca de 47 R$ por litro de mel. Já as espécies sem ferrão, como jataí e mandaçaia, iniciam a tabela em 120 R$ e podem bater 600 R$. A diferença nasce no campo: esses insetos atuam menos horas por dia e vivem em colônias menores. O resultado é um volume anual enxuto, altamente valorizado pela indústria gourmet.

Além da escassez, o perfil sensorial é único. A maior presença de água favorece fermentações naturais que lembram madeira, frutas cítricas ou até queijo, segundo a bióloga Kátia Aleixo. Não por acaso, sommeliers de mel surgem nos melhores restaurantes brasileiros.

“Alguns méis sem ferrão lembram queijos maturados, algo impensável para quem só conhece o sabor tradicional”, destaca Kátia Aleixo.

Mercado em expansão e números do setor

Dados do IBGE mostram que o Brasil produziu 61 mil toneladas de mel em 2023, mas menos de 2 % veio de abelhas sem ferrão. Mesmo com participação ínfima, a fatia gourmet movimenta milhões de reais e incentiva projetos de meliponicultura em mais de 100 espécies nativas.

Especialistas apontam que o nicho cresce a dois dígitos ao ano, impulsionado pela demanda de exportadores dispostos a pagar prêmios por selos de origem. A tendência pressiona produtores a investir em tecnologia de extração e em potes de cerume padrão gastronômico, capazes de preservar os aromas delicados que dão nome a cada rótulo.

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Crédito da imagem: Divulgação

Marta Silva
Marta Silva
Atuo como jornalista independente, desenvolvendo conteúdos informativos com olhar crítico e apuração responsável. Meu trabalho é guiado pela busca por fatos relevantes, contexto claro e informação confiável para o leitor.
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