Mel de R$ 600: por que abelhas sem ferrão valem ouro
Brasília/DF – Um litro do mel produzido por abelhas sem ferrão pode custar até R$ 600, quase 13 vezes mais que o mel comum vendido nos supermercados. A raridade do produto, associado a notas sensoriais cada vez mais disputadas por chefs, ajuda a explicar a escalada de preço que desperta curiosidade — e controvérsia — entre consumidores.
- Em resumo: colônias pequenas e produção limitada fazem o preço disparar.
Por dentro do valor: produção baixa e sabor disputado
A pesquisadora Fábia de Mello, da Embrapa, lembra que a abelha-africanizada — a mais popular no país — rende cerca de 47 R$ por litro de mel. Já as espécies sem ferrão, como jataí e mandaçaia, iniciam a tabela em 120 R$ e podem bater 600 R$. A diferença nasce no campo: esses insetos atuam menos horas por dia e vivem em colônias menores. O resultado é um volume anual enxuto, altamente valorizado pela indústria gourmet.
Além da escassez, o perfil sensorial é único. A maior presença de água favorece fermentações naturais que lembram madeira, frutas cítricas ou até queijo, segundo a bióloga Kátia Aleixo. Não por acaso, sommeliers de mel surgem nos melhores restaurantes brasileiros.
“Alguns méis sem ferrão lembram queijos maturados, algo impensável para quem só conhece o sabor tradicional”, destaca Kátia Aleixo.
Mercado em expansão e números do setor
Dados do IBGE mostram que o Brasil produziu 61 mil toneladas de mel em 2023, mas menos de 2 % veio de abelhas sem ferrão. Mesmo com participação ínfima, a fatia gourmet movimenta milhões de reais e incentiva projetos de meliponicultura em mais de 100 espécies nativas.

Especialistas apontam que o nicho cresce a dois dígitos ao ano, impulsionado pela demanda de exportadores dispostos a pagar prêmios por selos de origem. A tendência pressiona produtores a investir em tecnologia de extração e em potes de cerume padrão gastronômico, capazes de preservar os aromas delicados que dão nome a cada rótulo.
O que você acha? O preço salgado vale a experiência única de sabor? Para mais análises sobre mercado e consumo, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação
