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sábado, março 28, 2026

Fertilizantes em risco: o efeito dominó do bloqueio de Ormuz

Fertilizantes em risco: o efeito dominó do bloqueio de Ormuz

Teerã, Irã – O fechamento do Estreito de Ormuz em meio à escalada entre Estados Unidos, Israel e Irã já pressiona o barril de petróleo, mas o choque logístico ameaça também alimentos, microchips e remédios em todo o planeta.

  • Em resumo: um terço dos fertilizantes e do hélio do mundo não consegue mais deixar o Golfo, desencadeando aumentos de preços em cadeia.

Da lavoura ao bolso: por que a ureia preocupa agora

Segundo a Organização das Nações Unidas, cerca de 33% dos fertilizantes globais – ureia, potássio, amônia e fosfatos – trafegavam pelo Estreito de Ormuz até a guerra interromper rotas que somavam mais de 100 navios por dia.

Março e abril marcam o plantio no Hemisfério Norte. Sem fertilizante, a produtividade despenca e o efeito cascata atinge o consumidor meses depois. Pesquisadores do Instituto Kiel calculam que o trigo pode subir 4,2% e frutas e vegetais 5,2% se o bloqueio persistir.

“Um fechamento relativamente breve pode comprometer toda uma safra, com consequências para a segurança alimentar que persistem muito depois da reabertura do estreito”, alertou o Instituto Kiel.

Hélio raro, chips caros: tecnologia entra na fila

Cerca de um terço do hélio mundial sai do Catar. Com a usina de Ras Laffan parada após ataques com mísseis e drones, especialistas preveem picos de custo para semicondutores, exames de ressonância magnética e data centers. Em 2023, a Associação da Indústria de Semicondutores dos EUA já avisava sobre a vulnerabilidade da cadeia do gás.

Prashant Yadav, do Council on Foreign Relations, lembra que cada máquina de MRI consome até 2.000 litros de hélio. Qualquer falta encarece o diagnóstico médico e pressiona sistemas de saúde.

Remédios, baterias e metais: a lista cresce

Metanol e etileno – base de analgésicos, antibióticos e vacinas – também saem dos portos do Golfo. Interrupções aéreas em Dubai dificultam o envio de genéricos indianos para EUA e Europa.

No campo da transição energética, metade do enxofre marítimo global, crucial para ácido sulfúrico usado em cobre, cobalto, níquel e lítio, cruza Ormuz. Menos enxofre significa baterias mais caras e, por consequência, veículos elétricos mais onerosos.

Dados do IBGE mostram que o Brasil importou 85% dos fertilizantes consumidos em 2023, indicando alta exposição a choques externos como o do Golfo.

O que você acha? A ruptura prolongada pode mudar a conta do supermercado e do posto no Brasil? Para mais análises internacionais, acesse nossa editoria especializada.


Crédito da imagem: Divulgação / Getty Images via BBC

Marta Silva
Marta Silva
Atuo como jornalista independente, desenvolvendo conteúdos informativos com olhar crítico e apuração responsável. Meu trabalho é guiado pela busca por fatos relevantes, contexto claro e informação confiável para o leitor.
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