Bank of America paga R$ 381 mi por conexão com Epstein
Manhattan, Nova York – O Bank of America concordou em desembolsar US$ 72,5 milhões (cerca de R$ 381 milhões) para pôr fim a uma ação coletiva que o acusa de ter facilitado, por omissão, o esquema de tráfico sexual mantido por Jeffrey Epstein, mostrou documento protocolado recentemente na corte federal.
- Em resumo: vítimas alegam que o banco ignorou alertas de transações suspeitas, priorizando lucro.
Por que o banco entrou na mira da Justiça?
A denúncia, apresentada em outubro pela sobrevivente identificada como Jane Doe, afirma que a instituição continuou processando pagamentos ligados a Epstein mesmo após a ampla divulgação de seus crimes. O juiz Jed Rakoff, que já qualificou as suspeitas de “benefício consciente”, marcou para quinta-feira a audiência que decidirá se o acordo será homologado.
O Bank of America sustenta que prestou apenas “serviços rotineiros” a clientes que, à época, não tinham ligação conhecida com o financista. A defesa chama de “frágeis e infundadas” as insinuações de participação direta.
“Os registros sugerem que o banco lucrou enquanto as vítimas perdiam a chance de serem protegidas”, escreveu a acusação.
Outros gigantes sob pressão e números do problema
Não é a primeira vez que grandes instituições financeiras pagam caro pelo elo com Epstein: em 2023, o JPMorgan fechou acordo de US$ 290 milhões e o Deutsche Bank, de US$ 75 milhões. Dados do Atlas da Violência mostram que, só no Brasil, uma pessoa sofre violência sexual a cada 10 minutos, evidenciando a magnitude global desse mercado criminoso.

A lei norte-americana obriga bancos, via Bank Secrecy Act, a comunicar operações suspeitas à FinCEN. Falhas nesse reporte já custaram mais de US$ 5 bilhões em multas ao setor na última década, segundo auditorias independentes. O novo acordo com o Bank of America adiciona pressão por controles internos mais rígidos e transparência.
O que você acha? Bancos devem responder criminalmente quando ignoram sinais de crimes de clientes? Para mais análises do mercado financeiro, acesse nossa editoria de Finanças.
Crédito da imagem: Divulgação / AFP