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domingo, março 29, 2026

Porquinho de duas faces mobiliza família no interior do ES

Porquinho de duas faces mobiliza família no interior do ES

ALFREDO CHAVES (ES) – Um leitão com a rara malformação conhecida como diprosopia nasceu na comunidade de Recreio, zona rural do município, e virou centro de atenção da família que cria suínos na propriedade.

  • Em resumo: animal tem uma única cabeça com duplicação de face e precisa ser alimentado por seringa.

Por que o caso é tão raro?

Segundo o veterinário Breno Salgado, professor da Universidade Federal do Espírito Santo, a diprosopia ocorre ainda na gestação e não possui tratamento ou forma de prevenção conhecida.

Na prática, duplicações faciais comprometem funções básicas como respiração e sucção, por isso a maioria dos leitões nasce morta ou sobrevive apenas algumas horas.

“É diferente da policefalia; aqui há uma só cabeça com duas faces. A expectativa de vida costuma ser baixíssima”, detalhou o especialista.

Solidariedade e improviso na criação

Dos nove filhotes que a porca pariu, dois morreram e o leitão com anomalia não consegue mamar sozinho. A solução veio de Kaique, 18, filho do casal de produtores, que sugeriu o uso de leite em seringa e instalou uma lâmpada para aquecer o animal.

A iniciativa emocionou a mãe, Cláudia Pastori: “Nunca passamos por isso. Ver meu filho lidar tão bem com a situação nos deu esperança”. O pai, Sidimar, acrescentou que o filhote “consegue ingerir leite pelas duas bocas, mas não fica de pé”.

Riscos de consumo e orientações

Salgado reforça que leitões com malformações não devem entrar na cadeia alimentar, pois não há estudos sobre possíveis contaminações. Pesquisas internacionais registram casos semelhantes em bovinos, caprinos e até felinos, mas todos com baixa sobrevida.

Entre as causas possíveis estão fatores genéticos, exposição a toxinas agrícolas e deficiências nutricionais da matriz durante a gestação — problemas que o Ministério da Agricultura monitora em programas de sanidade animal.

O que você acha? A família deve insistir nos cuidados ou priorizar orientações médicas? Para mais histórias do campo e da ciência, acesse nossa editoria especializada.


Crédito da imagem: Divulgação

Marta Silva
Marta Silva
Atuo como jornalista independente, desenvolvendo conteúdos informativos com olhar crítico e apuração responsável. Meu trabalho é guiado pela busca por fatos relevantes, contexto claro e informação confiável para o leitor.
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