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China guarda até 1,4 bi de barris e ainda teme Ormuz
PEQUIM – A interrupção do tráfego no Estreito de Ormuz, após novos ataques no Irã, colocou à prova o plano chinês de segurança energética construído ao longo de duas décadas, revelando que nem um estoque estimado em 1,4 bilhão de barris livra o país de riscos imediatos de abastecimento.
- Em resumo: Reserva chinesa cobre até 90 dias, mas 20% do petróleo mundial continua preso em Ormuz.
O colchão chinês é grande, mas não infinito
Analistas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) lembram que a estratégia de “comprar na baixa e guardar” fez a China importar 16% mais petróleo só no primeiro bimestre deste ano. Parte vem em petroleiros que hoje aguardam liberação no mar do Sul da China, carregando mais de 46 milhões de barris iranianos.
Apesar do volume, o governo já orientou refinarias a suspender exportações de combustíveis, sinal de que o colchão pode encolher rápido se o gargalo durar.
“As estimativas indicam que Pequim possui cerca de 900 milhões a 1,4 bilhão de barris estocados, o equivalente a menos de três meses de importação”, detalha Ole Hansen, estrategista do Saxo Bank.
Por que o epicentro ainda assusta Pequim
Quase 30% das importações chinesas passam pelo Golfo. Arábia Saudita e Irã, sozinhos, respondem por mais de 20% desse fluxo. Se o bloqueio persistir, fábricas de plásticos e fertilizantes sentirão primeiro: o setor petroquímico representa 12% do PIB industrial chinês.
Nos transportes, veículos a combustão ainda dominam 65% da frota, e o preço interno do diesel já subiu 670 yuanes por tonelada. Mesmo o motorista de carro elétrico pode pagar a conta, porque usinas a carvão acionadas emergencialmente encarecem a tarifa de recarga.

Historicamente, cada alta de 10 US$ no barril adiciona 0,2 ponto percentual à inflação chinesa, segundo a Agência Internacional de Energia. Um choque prolongado, portanto, pode devolver o mundo a um cenário de custos altos de frete e alimentos.
O que você acha? A reserva recorde será suficiente ou a China precisará rever sua rota energética? Para acompanhar outros desdobramentos internacionais, visite nossa editoria Mundo.
Crédito da imagem: Divulgação / Getty Images via BBC
