Golpes de R$300 mil: funk dos Rauls ganha série na Netflix
São Paulo – O universo dos estelionatários digitais chamados de “Rauls” saiu das pistas de dança e das letras de funk para conquistar o streaming: a Netflix prepara, para outubro de 2025, uma série ficcional sobre o tema, criada pelos mesmos nomes por trás de “Sintonia”.
- Em resumo: músicas que descrevem golpes virtuais já somam 22 milhões de views e agora viram roteiro de TV.
Por que “Raul” virou sinônimo de golpe?
Produtores e MCs ouvidos pelo g1 apontam que o apelido nasceu dos antigos equipamentos “chupa-cabras”, também chamados de “Raul”, usados para clonar cartões. O nome pegou e virou codinome de quem pratica fraude bancária – crime previsto no art. 171 do Código Penal, com pena de 1 a 5 anos de reclusão.
Segundo o relatório da Febraban, as tentativas de golpes digitais cresceram 165 % desde o início do PIX, o que ampliou o material para os cronistas do funk.
“Arranquei 300 no 7, nós que faz e acontece… Travei seu cartão black” – verso de “300 no 7”, hit que narra o gasto de R$300 mil em uma só noite.
Ritmo, mercado e risco policial
Canções como “O Corre”, de MC Kelvinho, acumulam 22 milhões de visualizações no YouTube. Executivos da gravadora GR6 afirmam que 30 dos 30 principais artistas do gênero já citaram um Raul em suas letras.
O fenômeno ultrapassa a música: roupas de grife em tons neutros, bolsas transversais e festas VIP regadas a uísque caro formam o “estilo Raul”, já disseminado nas periferias paulistas. Pesquisadores da USP alertam que a figura se tornou um “ladrão de banco 2.0” – sedutor porque opera sem violência física e com alto retorno financeiro.

Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública indicam que o país registrou mais de 4,2 milhões de ocorrências de estelionato em 2022, aumento de 37 % em três anos, refletindo o terreno fértil para que novos Rauls apareçam.
O que você acha? O funk deve continuar retratando a vida de estelionatários ou corre o risco de glamourizar o crime? Para mais matérias sobre segurança digital, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / YouTube
