Déficit de R$ 30 bi reacende alerta fiscal em fevereiro
BRASÍLIA – O Tesouro Nacional revelou, na última segunda-feira (30/3), que as contas do governo voltaram ao vermelho, registrando déficit primário de R$ 30 bilhões em fevereiro. O resultado pressiona a trajetória fiscal em pleno debate sobre o novo arcabouço e pode comprometer a meta de superávit de 0,25% do PIB para 2026.
- Em resumo: Mesmo com receita recorde, a despesa avançou e anulou R$ 157,8 bi arrecadados no mês.
Por que o saldo ficou negativo?
Segundo o Tesouro, a arrecadação líquida cresceu 5,6% em termos reais, mas não acompanhou o ritmo das despesas, que subiram 3,1% e alcançaram R$ 187,7 bilhões. Os maiores vilões foram educação, saúde, folha de pagamento e benefícios previdenciários — itens que representam quase 70% do gasto obrigatório. Dados detalhados podem ser conferidos nos boletins do Banco Central, que monitoram o impacto dessas rubricas na dívida pública.
O secretário do Tesouro explicou em entrevista à Band que o aporte de R$ 3,4 bilhões ao programa Pé de Meia e o reajuste do salário-mínimo ajudaram a puxar a conta para cima.
“Sem controle sobre despesas obrigatórias, cada R$ 1 extra de arrecadação se dissolve rapidamente”, alertou o Tesouro.
Bimestre ainda positivo, mas sinal amarelo
No acumulado de janeiro e fevereiro, o governo mantém superávit de R$ 56,85 bilhões, ligeiramente melhor que em 2025. O alívio, porém, pode ser temporário: o próprio arcabouço fiscal permite abater até R$ 63,5 bilhões em despesas judiciais, o que pode transformar o resultado anual em déficit de quase R$ 60 bilhões.
Para especialistas, o cenário lembra 2014, quando o primário virou déficit pela primeira vez desde o Plano Real. Naquele ano, a combinação de renúncias tributárias e expansão de gastos elevou a dívida bruta de 51% para 57% do PIB em apenas 12 meses, segundo série histórica do IPEA.
Se a trajetória se repetir, o custo da dívida tende a pressionar as taxas futuras de juros, jogando contra o esforço do Banco Central de reduzir a Selic em 2026.
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