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segunda-feira, março 30, 2026

Só 2,3 mil aderem ao PDV dos Correios e

Só 2,3 mil aderem ao PDV dos Correios e meta afunda

Brasília/DF – A direção dos Correios prorrogou para 7 de abril o Plano de Desligamento Voluntário (PDV) depois de atrair apenas 2.347 inscrições, muito aquém da meta de 10 mil desligamentos em 2026 e outros 5 mil em 2027.

  • Em resumo: somente 23% da meta foi atingida, pressionando o caixa da estatal em meio a um déficit projetado que pode chegar a R$ 23 bilhões.

Adesão baixa liga sirene financeira

O PDV é peça-chave de um pacote que visa cortar R$ 2 bilhões anuais em despesas com pessoal. Sem o volume esperado de saídas, a estatal mantém custos elevados enquanto lida com empréstimos de R$ 12 bilhões já contratados. Dados do Banco Central mostram que, em 2025, o setor de serviços públicos representou 18% da dívida corporativa do país, sinal de alerta para credores.

Para seduzir empregados, os Correios oferecem bônus equivalente a 12 salários e extensão do plano de saúde para familiares, mas sindicatos afirmam que a compensação “não cobre a instabilidade do mercado”, especialmente para trabalhadores com mais de 45 anos.

“Se o ciclo de perdas não for interrompido, o prejuízo de 2026 pode chegar a R$ 23 bilhões”, disse o presidente Emmanoel Rondon no fim de 2025.

Fechamento de agências e futuro do serviço postal

O plano de reestruturação prevê ainda a venda de imóveis e o fechamento de 1 mil das atuais 5 mil agências. Historicamente, cortes semelhantes ocorreram na Telebras em 1998 e na Caixa em 2021, indicando que o PDV costuma anteceder privatizações ou mudanças profundas de modelo de negócios.

Especialistas lembram que a Lei 13.303/2016 exige “sustentabilidade econômico-financeira” de estatais, o que pode forçar novas rodadas de cortes se a adesão não subir. Enquanto isso, o consumidor já sente atrasos: o índice de reclamações por atraso de entrega registrado na plataforma Consumidor.gov subiu 14% em 2025.

O que você acha? O PDV é suficiente para salvar os Correios ou medidas mais duras serão inevitáveis? Para acompanhar outras análises sobre o setor público, visite nossa editoria de Finanças.


Crédito da imagem: Divulgação

Marta Silva
Marta Silva
Atuo como jornalista independente, desenvolvendo conteúdos informativos com olhar crítico e apuração responsável. Meu trabalho é guiado pela busca por fatos relevantes, contexto claro e informação confiável para o leitor.
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