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terça-feira, março 31, 2026

Queda recorde: 6 milhões deixam a pobreza na Argentina

Queda recorde: 6 milhões deixam a pobreza na Argentina

BUENOS AIRES – Na última terça-feira (31), o Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec) revelou que o número de argentinos abaixo da linha da pobreza caiu para 8,5 milhões no 2º semestre de 2025, o que representa 28,2% da população. O recuo, equivalente a 6 milhões de pessoas em apenas seis meses, dá fôlego ao presidente Javier Milei, mas também eleva as expectativas sobre resultados sociais concretos em 2026.

  • Em resumo: pobreza recua 3,4 p.p. e indigência atinge 1,9 milhão, mesmo com consumo interno ainda fraco.

Por que o índice surpreende agora

Apesar da forte inflação acumulada de 117,8% em 2024, a Argentina registrou expansão de 4,4% no PIB em 2025, impulsionada pelas exportações. Para o Indec, a combinação de ajuste fiscal e desaceleração de preços ajudou a recompor parte da renda familiar, tirando milhões da pobreza.

Especialistas, porém, lembram que o desemprego subiu a 7,5%, maior patamar desde a pandemia, sinalizando que a melhora de renda não veio, por enquanto, do mercado de trabalho.

“Ainda não vemos o consumo reagir. O alívio na taxa de pobreza está mais ligado ao controle inflacionário do que à criação de empregos”, analisa Tito Nolazco, da Prospectiva.

Contexto regional e o teste político para Milei

Embora 28,2% ainda seja um dos índices mais altos da América Latina – no Brasil, a linha de pobreza medida pelo IBGE ficou em 5,9% em 2023 –, o progresso argentino chama atenção por ocorrer após o chamado Plano Motosserra, que cortou subsídios de energia, transporte e obras públicas.

O governo celebra também a queda na indigência para 6,3% da população, ou 1,9 milhão de pessoas, contra 2,1 milhões no primeiro semestre de 2025. O Indec define como indigentes aqueles sem acesso a uma cesta mínima de alimentos capaz de suprir energia e proteína diárias.

Analistas projetam que sustentar a curva descendente dependerá da aprovação de reformas que flexibilizam o mercado de trabalho – 82 artigos já foram suspensos pela Justiça – e de medidas que estimulem o consumo sem reacender a inflação.

O que você acha? A recuperação é sustentável ou apenas efeito momentâneo do ajuste fiscal? Para acompanhar outras análises sobre a cena internacional, visite nossa editoria Mundo.


Crédito da imagem: Divulgação / Reuters

Marta Silva
Marta Silva
Atuo como jornalista independente, desenvolvendo conteúdos informativos com olhar crítico e apuração responsável. Meu trabalho é guiado pela busca por fatos relevantes, contexto claro e informação confiável para o leitor.
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