Aumento de 54,6% no querosene pode inflar passagens em 20%
RIO DE JANEIRO / PETROBRAS – O reajuste de 54,6% no preço do querosene de aviação (QAV), anunciado na última quarta-feira (1/4), cria a pior combinação possível para o passageiro brasileiro e deve puxar as tarifas aéreas para cima já nos próximos meses.
- Em resumo: Especialistas estimam encarecimento de até 20% nos bilhetes, mesmo com parcelamento do aumento.
Por que o aumento é tão salgado?
Além do impacto direto do conflito no Oriente Médio sobre o petróleo, a política de Paridade de Preço de Importação (PPI) faz o Brasil cobrar valores internacionais mesmo produzindo 90% do QAV em casa. Segundo a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), o combustível saltou de 40% para 45% do custo total das companhias desde o anúncio. Dados do Banco Central confirmam que a prévia da inflação de março (IPCA-15) já apontava pressão de 5,94% nas passagens.
O dólar, que subiu quase 12% no trimestre, amplia a fatura: cada centavo na moeda americana adiciona cerca de R$ 80 milhões anuais às despesas do setor, segundo cálculo da IATA.
“O combustível passou a responder por 45% dos custos totais das companhias após o último reajuste.” — Nota da Abear
Como o passageiro pode se defender?
Consultores recomendam antecipar compras ainda no primeiro semestre. Diferente do câmbio, as passagens costumam sofrer repasses bruscos; quem garante o bilhete agora evita a corrida provocada por oferta reduzida e demanda constante.
Outro cuidado é revisar o seguro-viagem. Apólices que cobrem cancelamentos por motivos de força maior ganham relevância enquanto o Supremo Tribunal Federal não decide se guerras configuram “fortuito externo”, o que poderia limitar indenizações.

Por fim, há luz no horizonte energético: a Lei do Combustível do Futuro obriga as companhias a misturar Sustainable Aviation Fuel (SAF) a partir de 2027. O Brasil, maior produtor de biomassa do mundo, pode reduzir a dependência do Brent e suavizar futuras crises.
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Crédito da imagem: Divulgação / Getty Images
