Nova lei impõe 35% de cacau; seu chocolate vai mudar?
BRASÍLIA – A próxima Páscoa pode trazer um sabor diferente aos corredores dos supermercados: o chocolate amargo só poderá chegar às prateleiras com, pelo menos, 35% de cacau, conforme projeto de lei recém-aprovado na Câmara dos Deputados.
- Em resumo: teor mínimo do chocolate amargo sobe de 25% para 35% de cacau.
Por que o Congresso mexeu na receita?
Com o novo texto, o Brasil passa a ter definições claras para chocolate amargo, meio amargo, ao leite e em pó, algo que a legislação de 2022 ignorava. A mudança tenta alinhar o país a mercados que já adotam parâmetros mais rígidos. Segundo dados do IBGE, o consumo per capita de chocolate no Brasil gira em torno de 2,6 kg ao ano, abaixo da média europeia de 5 kg, indicando espaço para produtos de maior valor agregado.
A proposta, no entanto, não fixa percentual mínimo de cacau em itens “sabor chocolate”, porta de entrada para formulações com pouco ou nenhum fruto. Críticos temem que essa brecha incentive produtos mais baratos, mantendo o consumidor distante dos benefícios nutritivos do cacau.
“Boa parte da população não tem poder aquisitivo para comprar um chocolate com alto valor agregado”, disse Bruno Lasevicius, presidente da Associação Bean to Bar Brasil.
Impacto no bolso do consumidor e no campo
Apesar do aumento obrigatório de cacau, pesquisadores da Esalq/USP calculam que a demanda pela amêndoa subirá cerca de 5% — variação considerada tímida para influenciar preços. O Brasil responde por apenas 4% do mercado mundial do fruto, e parte da indústria prefere importar amêndoas beneficiadas pela isenção tributária do drawback.

Em contrapartida, produtores nacionais afirmam ter oferta capaz de suprir um eventual salto de encomendas internas. Hoje, a Bahia lidera a produção, enquanto Pará e Espírito Santo crescem com cacau de origem certificado, estratégia que pode ganhar fôlego diante do novo selo de qualidade legislativo.
O que você acha? Aumentar o teor de cacau tornará o chocolate brasileiro melhor ou apenas mais caro? Para acompanhar outras mudanças no mercado, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / G1
