Brent cai a US$108 em meio a ameaça de Trump ao Irã
Londres – Às 9h45 (horário de Brasília), durante a transmissão da Record, o petróleo Brent recuava 0,33%, cotado a US$ 108,67, enquanto o WTI caía 0,86%, para US$ 110,58. A queda reflete as tensões entre Estados Unidos e Irã após o esboço de cessar-fogo que, até agora, não reabriu totalmente o Estreito de Ormuz, rota vital para quase 20% do comércio mundial de petróleo.
- Em resumo: Proposta de trégua não avança; Trump eleva o tom e mercado teme novo choque de oferta.
Estreito ainda fechado: gargalo que mexe com o bolso
A rota, por onde passam cargas de Iraque, Arábia Saudita e Catar, segue apenas parcialmente liberada após ataques iranianos. Dados de tráfego marítimo mostram que, desde quinta-feira, apenas três embarcações – de Omã, França e Japão – conseguiram cruzar o canal, sinal de que o fluxo está longe da normalidade.
Para compensar o gargalo, refinarias disputam barris no Mar do Norte e nos EUA. O resultado: prêmios sobre o WTI atingiram recorde histórico, segundo a consultoria Rystad, pressionando preços de combustíveis em todo o planeta, inclusive no Brasil, que importa cerca de 30% do diesel consumido, de acordo com dados do Banco Central.
“Podemos fazer chover inferno”, advertiu Donald Trump, caso Teerã não aceite um acordo até terça-feira.
Opep+ tenta conter dano, mas impacto pode ser limitado
O cartel elevou em 206 mil barris/dia sua meta de produção a partir de maio. Analistas, porém, lembram que a interrupção de exportações no Oriente Médio e os recentes ataques a terminais russos deixam o mercado com mais de 1,5 milhão de barris/dia de oferta em risco.

Além disso, a Arábia Saudita reajustou o preço do Arab Light para a Ásia, impondo prêmio recorde de US$ 19,50 por barril – salto de US$ 17 ante abril. Em meio à escassez, países asiáticos chegam a adiar paradas de manutenção para garantir estoque, intensificando a competição com a Europa, historicamente dependente do Brent.
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Crédito da imagem: Divulgação / G1
