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IA do Pentágono mira mil alvos em minutos e muda guerras
WASHINGTON, EUA – Em plena escalada contra o Irã, o Project Maven permitiu que militares norte-americanos transformassem imagens de satélite em ataques precisos em questão de minutos, encurtando um processo que antes tomava horas de análise humana.
- Em resumo: a plataforma treinada por IA ajudou a selecionar mais de 1.000 alvos nas primeiras 24 horas da Operação Fúria Épica.
Como o software caça alvos em tempo real
Desenvolvido em 2017 para “triagem” de imagens de drones, o Maven hoje integra sensores, webcams de drones e fotos de satélite em um único dashboard. O operador filtra o que importa, o algoritmo sugere um curso de ação, e o disparo pode ser autorizado sem sair da interface. Relatório recente do Departamento de Defesa dos EUA indica que o ciclo completo – identificação, classificação e execução – caiu de horas para poucos minutos.
A capacidade de fundir dados tornou-se a peça-chave do modelo. Além de indicar o alvo, o sistema classifica se o objetivo exige míssil de cruzeiro, drone kamikaze ou artilharia convencional, aliviando o analista humano da sobrecarga de informações.
“Fazíamos o mesmo trabalho em oito ou nove sistemas diferentes; agora, tudo acontece em um só e em minutos”, descreveu Cameron Stanley, chefe de IA do Pentágono.
Palantir entra, Google sai: dilema ético permanece
O Google abandonou o projeto em 2018 após protesto interno de 3 mil funcionários. A lacuna foi preenchida pela Palantir, empresa conhecida por contratos com agências de segurança. Desde então, ela fornece o cérebro algorítmico da plataforma.
O movimento reacendeu o debate: o uso de IA ofensiva fere princípios éticos? Em 2023, o Departamento de Defesa adotou cinco princípios de IA responsável, mas analistas lembram que nenhuma lei internacional regula, de fato, armas 100% autônomas. Estudo do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos aponta que pelo menos 30 países já testam sistemas similares, e o mercado global de IA militar pode superar US$ 15 bilhões até 2028.

Impacto imediato e riscos futuros
Em campo, o efeito é tangível. Na Guerra da Ucrânia, o Maven simplificou o monitoramento de tropas russas, embora tenha enfrentado limitações em áreas de trincheiras e interferência eletrônica. Mesmo assim, oficiais disseram ao “New York Times” que a IA “encurta o nevoeiro da guerra”.
Especialistas temem, porém, que a velocidade do gatilho tecnológico reduza o tempo para checagem de alvos civis. Dados do Stockholm International Peace Research Institute mostram que 71% dos incidentes graves em conflitos recentes envolveram decisões tomadas sob pressão de tempo.
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Crédito da imagem: Divulgação / G1
