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quarta-feira, abril 8, 2026

t.A.T.u. volta a SP fingindo namoro lésbico e cobra R$520

t.A.T.u. volta a SP fingindo namoro lésbico e cobra R$520

SÃO PAULO – Quinze anos depois da separação, a dupla russa t.A.T.u. confirmou apresentação única em 16 de maio de 2026 na capital paulista, reacendendo discussões sobre marketing queerbaiting e o alto preço das entradas, que chegam a R$ 520 na pista premium.

  • Em resumo: Show marca o primeiro encontro com fãs brasileiros desde 2005 e revive a polêmica do “romance fake”.

Por que o retorno provoca tanto barulho?

Lena Katina e Julia Volkova venderam 10 milhões de discos ao encenar um relacionamento lésbico que nunca existiu. Essa estratégia, chamada hoje de queerbait, seria difícil de repetir na Rússia atual, onde a lei de 2013 pune a chamada “propaganda gay”. O contraste ajuda a explicar o interesse renovado e a crítica. Dados da IFPI, federação internacional da indústria fonográfica, mostram que a nostalgia dos anos 2000 impulsiona 28% das turnês comemorativas pelo mundo.

É nesse vácuo de nostalgia que o duo anuncia a passagem pelo Komplexo Tempo, com classificação etária de 16 anos e ingressos entre R$ 185 e R$ 520. Para muitos fãs, o reencontro “faz voltar aos 16”, nas palavras das artistas, mas para ativistas LGBTQIA+ a encenação ainda soa oportunista.

“Toda vez que subimos ao palco, voltamos aos 16 anos de novo”, disse Lena ao g1, destacando a energia de hits como “Not Gonna Get Us”.

Impacto cultural e números do negócio

O videoclipe de “All the Things She Said” acumula hoje mais de 200 milhões de visualizações no YouTube, resultado que coloca o t.A.T.u. entre os 50 maiores virais da plataforma nos anos 2000. Embora Trevor Horn — produtor de Seal e Yes — tenha deixado o projeto em 2009, a sonoridade eurodance permanece a mesma, agora reforçada por bases eletrônicas.

Especialistas lembram que ingressos acima de R$ 500 não são incomuns: relatório da Ticketmaster indica aumento de 17% no tíquete médio de shows internacionais no Brasil desde 2019. Ainda assim, o valor cobra pela dupla é superior à média de turnês nostálgicas, que gira em torno de R$ 390.

Longe das controvérsias, ambas vivem hoje relacionamentos heterossexuais e são mães. Julia chegou a declarar em 2014 que não aceitaria um filho gay, recuo depois revogado com pedido de desculpas público. O passado divide opiniões, mas o legado — amor em forma de pop dramático, segundo elas — continua a atrair fãs de 18 a 90 anos.

O que você acha? Nostalgia justifica o preço ou o marketing “fake lésbico” perdeu espaço? Para mais notícias sobre cultura pop, visite nossa editoria Pop.


Crédito da imagem: Divulgação / g1

Ana Catarina
Ana Catarina
Sou jornalista independente, dedicada à apuração rigorosa e à produção de conteúdos informativos de qualidade. Busco levar notícias relevantes com linguagem clara, responsabilidade e compromisso com a verdade.
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