Americano vende 1,5 mil lotes da Lua por dia e fatura US$ 12 mi
ESTADOS UNIDOS – Desde 1980, o ex-vendedor californiano Dennis Hope afirma ter construído uma fortuna ao negociar escrituras de “propriedades” na Lua, em Marte e em outros corpos celestes – um mercado que já lhe rendeu cerca de US$ 12 milhões (R$ 62 milhões).
- Em resumo: Hope usa o vácuo jurídico do Tratado do Espaço Exterior para comercializar até 1,5 mil lotes lunares por dia.
Como ele driblou a lei espacial
Ao consultar o Tratado do Espaço Exterior de 1967 na biblioteca, Hope percebeu que o texto veda apenas a posse nacional de astros. Concluiu, então, que pessoas físicas não estavam explicitamente proibidas de reivindicar territórios fora da Terra. Ele notificou a ONU sobre sua “apropriação” da Lua e, sem resposta oficial, passou a subdividir o satélite em hectares — vendidos como presentes, souvenires ou “investimento”.
Segundo orientações da Febraban contra golpes imobiliários, negócios que prometem posse de bens sem registro em cartório podem ser enquadrados como fraude no Brasil.
“Não é muito científico, mas é divertido”, disse Hope à BBC sobre a escolha aleatória dos lotes no mapa lunar.
Por que celebridades ainda compram?
Hope garante que ex-presidentes americanos como Ronald Reagan e George W. Bush, além de redes hoteleiras, estão entre os três milhões de “proprietários” cadastrados. O lote mínimo é de um acre (4 mil m²); o maior, batizado de “tamanho continental”, chega a 5,3 milhões de acres e custa US$ 13,3 milhões.
O fascínio não é apenas simbólico. Um levantamento do Planetary Society mostra que 112 missões lunares estão previstas até 2030, reacendendo o interesse comercial no satélite. Em paralelo, a cotação de um hectare de terra agrícola nos EUA beira US$ 8 mil, o que torna o “m² lunar” virtualmente barato para quem busca exclusividade – mesmo sem garantia jurídica.

O impasse legal pode mudar?
Especialistas como a professora Claire Finkelstein, da Universidade da Pensilvânia, sustentam que ninguém pode deter posse legítima da Lua. No entanto, a exploração privada de recursos ainda carece de regulamentação clara, o que pressiona a revisão do tratado de 1967. Até lá, o negócio de Hope segue em uma zona cinzenta, alimentado por charme e marketing.
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Crédito da imagem: Divulgação / BBC





