Salário mínimo de US$0,27/h: Delcy promete reajuste já
CARACAS – Sob pressão popular e econômica, a presidente interina Delcy Rodríguez garantiu que anunciará, em 1º de maio, um novo piso salarial para conter a renda “evaporada” pela hiperinflação, hoje acima de 600% ao ano.
- Em resumo: governo promete correção salarial “responsável”, mas sem detalhar percentuais.
Por que o anúncio de Delcy mexe no bolso do venezuelano?
O atual salário mínimo de US$ 0,27 por hora (cerca de R$ 1,38) não cobre 5% da cesta básica estimada em US$ 645 mensais. Mesmo somados os bônus estatais, a renda média chega a US$ 150 – montante que mantém o país na lista das menores remunerações da América Latina, segundo dados comparativos do Banco Central.
Diante de protestos convocados para esta quinta-feira (09), Rodríguez criou uma “comissão de diálogo laboral” para negociar com sindicatos, além de prometer ajustes fiscais e revisão do modelo chavista.
“Será um aumento responsável, alinhado à recuperação dos ativos bloqueados no estrangeiro”, declarou a presidente interina em cadeia nacional.
Recursos externos e reformas: promessa ou realidade?
Rodríguez condiciona o reajuste salarial à liberação de bens venezuelanos retidos por sanções internacionais. Caso o dinheiro volte aos cofres públicos, ela afirma que será destinado “imediatamente” a salários e infraestrutura – energia, água, estradas, escolas e hospitais.

Especialistas lembram que a Venezuela já perdeu mais de 80% do PIB na última década. Para reverter o quadro, seriam necessários – estimam consultorias privadas – ao menos US$ 10 bilhões em investimentos anuais, além de reformas na legislação imobiliária e no regime fiscal, pontos mencionados pela mandatária.
O que você acha? Um reajuste salarial basta para conter a crise ou reformas mais profundas são urgentes? Para acompanhar outras análises internacionais, visite nossa editoria Mundo.
Crédito da imagem: Divulgação / Miraflores Palace via Reuters





