R$5 bi na mesa: varejo exige manter taxa das blusinhas
Brasília, DF – Em manifesto divulgado recentemente, 53 entidades que representam indústria e comércio pediram ao governo federal que preserve a chamada “taxa das blusinhas”, tributo de 20% cobrado sobre compras internacionais de até US$ 50. O bloco afirma que a medida, além de ter injetado R$ 5 bilhões nos cofres públicos em 2025, reduziu a disparidade de impostos entre produtos importados e nacionais, beneficiando inclusive o consumidor.
- Em resumo: Varejo alerta que recuo na taxação enfraqueceria empregos e já gerou R$ 425 mi só em janeiro.
Por que o setor bate na mesma tecla
As entidades – entre elas CNI, CNC e IDV – argumentam que plataformas estrangeiras ainda pagam carga total de 45%, contra quase 90% incidentes sobre produtos fabricados no Brasil. Mesmo assim, a pesquisa Instituto Locomotiva mostra que apenas 12% dos consumidores desistiram de importar após a nova regra.
Segundo dados da Receita Federal, 50 milhões de brasileiros compraram via empresas do programa Remessa Conforme em 2025, o que evidencia adesão expressiva mesmo com o imposto.
“A tributação introduzida, somada ao ICMS, não eliminou a desigualdade, mas impediu um desmonte de empregos nacionais”, diz trecho do documento.
Impacto macroeconômico e olho no calendário eleitoral
O manifesto surge na esteira de rumores sobre possível revogação da taxa em ano eleitoral. A ala política do Planalto avalia aliviar o bolso do eleitor, enquanto Câmara discute projeto que zera o imposto para compras de até US$ 50.
Especialistas lembram que o comércio eletrônico cross-border cresceu 44% durante a pandemia, segundo a Ebit | Nielsen, e já movimenta mais de US$ 3 bi anuais. Sem a cobrança, o Brasil perderia receita em momento de foco no equilíbrio fiscal — tema central do novo arcabouço que exige reduzir déficit a 0,5% do PIB até 2026.

No plano social, a inflação do grupo vestuário é a menor do IPCA desde 1994, reflexo, segundo o varejo, da concorrência “mais justa” proporcionada pela manutenção da alíquota.
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Crédito da imagem: Divulgação / BBC





