Sete presidentes em 10 anos: Peru entra em 'economia zumbi'

LIMA, Peru – A poucos dias da eleição presidencial de domingo (12/4), transmitida pela Record e pela Band, o Peru encara o voto com uma economia descrita por analistas como “zumbi”: cresce pouco, perde empregos formais e vê a pobreza subir para 27,6% em 2024.

  • Em resumo: Troca constante de governos – sete presidentes em 10 anos – minou políticas de longo prazo e custou 0,55% do PIB só em 2023.

Como o impasse político virou travão econômico

Desde a renúncia de Pedro Pablo Kuczynski, em 2018, o país mudou de chefe de Estado em média a cada 17 meses. Nesse carrossel, ministros da Economia duram apenas oito meses, inviabilizando projetos de infraestrutura e mineração, setor que responde por 60% das exportações peruanas, segundo dados do Banco Central.

A consequência é visível: entre 2022 e 2024, o Produto Interno Bruto avançou apenas 2,3% ao ano – quase metade do potencial estimado por especialistas.

“Temos uma economia que caminha em piloto automático, em modo zumbi”, alerta Armando Mendoza, do Centro Peruano de Estudos Sociais.

Impactos diretos no bolso e no futuro do país

Apesar da autonomia do Banco Central de Reserva e da estabilidade do sol, a escalada de incertezas reduziu o investimento estrangeiro em mineração, setor que perdeu US$ 11,5 bilhões em 2025 para exportações ilegais de ouro. O próprio BCR projeta alta modesta de 2,9% no PIB de 2026, número ameaçado pela guerra no Oriente Médio e pela sucessão de crises internas.

Especialistas classificam a última década como “oportunidade perdida”: com preços recordes de cobre e ouro, o Peru poderia ter sustentado expansão de 5% a 6% ao ano se houvesse previsibilidade de regras. Agora, o desafio do novo governo – qualquer que seja o eleito entre Rafael López Aliaga e Keiko Fujimori – será restaurar confiança, combater a mineração ilegal e manter Julio Velarde no comando do Banco Central, visto como fiador da política monetária.

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Crédito da imagem: Divulgação

Marta Silva

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