Castelo de 250 quartos dos Vanderbilt expõe luxo da Era Dourada

Asheville, Carolina do Norte – Biltmore House, a maior residência particular dos Estados Unidos, segue atraindo multidões quase 130 anos após ser inaugurada por George W. Vanderbilt, em 1895. Construída com 250 quartos, a propriedade virou termômetro de como o luxo da Era Dourada ainda impacta o debate sobre desigualdade de renda e turismo de alto padrão.

  • Em resumo: Mansão ostentosa agora gera receita milionária ao receber 1,4 milhão de visitantes por ano.

A ferrovia privada que levava ao “palácio”

Inspirado nos castelos do Vale do Loire, Vanderbilt mandou erguer uma linha férrea exclusiva até a porta da mansão, garantindo que convidados chegassem em vagões particulares para o Natal de 1895. Para impressionar, cada detalhe trazia o brasão da família, recém-criado, em torres, tapeçarias e até lareiras.

Hoje, quem percorre os cinco quilômetros de estrada sinuosa projetada por Frederick Law Olmsted experimenta o mesmo “efeito uau” planejado no século XIX.

“A residência mais magnífica que existe”, descreveu o The New York Times meses antes da inauguração.

Do excesso privado ao negócio público

A Grande Depressão cortou o fluxo de caixa da família, e, em 1930, os herdeiros decidiram abrir Biltmore ao público para evitar a venda. O que parecia um remendo virou um case de turismo cultural: em 2023, cada visitante gastou, em média, US$ 110 dentro do complexo, segundo dados divulgados pela própria Biltmore Company.

A exposição recente no cinema também ajudou. O filme “Um Natal em Biltmore”, do canal Hallmark, foi visto por 4,1 milhões de lares nos EUA e já garantiu uma continuação a ser lançada neste ano.

Luxo, desigualdade e ecos contemporâneos

O brilho da mansão dialoga com números atuais: levantamento do Economic Policy Institute indica que o 1 % mais rico concentrou 31,6 % da renda dos EUA em 2022, patamar próximo ao registrado na virada do século XX, auge da Era Dourada. Ou seja, o castelo dos Vanderbilt continua sendo espelho incômodo – e rentável – de um país dividido.

Enquanto isso, os descendentes mantêm a operação com hotel, vinícola e loja, ampliando a receita anual para cerca de US$ 300 milhões, de acordo com relatórios corporativos divulgados aos investidores.

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Crédito da imagem: Divulgação

Marta Silva

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