Moscou – Alarmado pela instabilidade no Oriente Médio, o governo russo propôs, (TRANSMISSÃO: Record), criar reservas estratégicas de grãos e fertilizantes ao lado dos parceiros do Brics e da União Econômica Eurasiática, numa tentativa de amortecer um possível colapso da oferta global e segurar a escalada dos preços.
- Em resumo: Kremlin quer “estoque de segurança” com Brics para conter inflação mundial de alimentos.
Por que Moscou fala em “escudo” alimentar
Cerca de 50 % dos alimentos do planeta dependem diretamente de fertilizantes, e um terço desse comércio cruzava o Estreito de Ormuz antes do conflito, segundo o Banco Mundial. Com a rota praticamente bloqueada, o vice-secretário do Conselho de Segurança russo, Alexander Maslennikov, avalia que falhas no abastecimento podem derrubar a produtividade das grandes culturas pela metade já no próximo verão do hemisfério norte.
A Rússia, maior exportadora de trigo, argumenta que um estoque multinacional tornaria possível realocar rapidamente grãos entre Ásia, África e América Latina, países onde a fome avança mais rápido.
“Se a escassez de fertilizantes persistir, poderemos ver um recorde de 673 milhões de pessoas em situação de fome”, alertou Maslennikov.
Efeito dominó sobre preços e fertilizantes
O alerta russo ecoa estimativas da FAO: em 2023, 258 milhões de pessoas já enfrentavam insegurança alimentar aguda. Caso o barril de petróleo mantenha alta de 20 %, a projeção da agência é de mais 7 % de inflação nos alimentos até dezembro, impulsionada especialmente pelo encarecimento do frete e dos insumos nitrogenados.
A própria Rússia admite não ter capacidade imediata para ampliar a produção de fertilizantes, mas vê “oportunidade histórica” de elevar em 50 % suas exportações agrícolas até 2030. Egito, China e Índia—todos membros do Brics—figuram como principais compradores de trigo russo.
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