Nome novo, som em brasa: Buhr lança o explosivo 'Feixe de fogo'

São Paulo (SP) – Buhr põe ainda mais fogo na cena alternativa ao apresentar, recentemente, o sétimo álbum de estúdio, “Feixe de fogo”. Com 11 faixas gravadas em cinco capitais brasileiras, o trabalho marca a primeira vez em que a cantora baiana utiliza apenas o sobrenome, alinhando-se à sua identidade não binária e injetando urgência no rock urbano.

  • Em resumo: Disco gravado em 10 estúdios, com Arto Lindsay e Edgard Scandurra nas guitarras, consolida a virada de identidade da artista.

Mudança de nome, mesma ferocidade sonora

Produzido por Buhr ao lado do multi-instrumentista Rami Freitas, o projeto mantém a verve incendiária já percebida em “Selvática” (2015) e “Desmanche” (2019). Fazem parte da tropa de colaboradores nomes como Fernando Catatau, Russo Passapusso e a cantora trans Moon Kenzo. O resultado é um mosaico musical que transita do xote ao pós-punk sem perder o compasso da urgência urbana. Dados do Global Music Report da IFPI indicam que o streaming no Brasil cresceu 17,9% em 2022, terreno fértil para álbuns autorais que, como este, circulam fora do “radar pop” tradicional.

Gravado ao longo de dois anos, o disco percorreu estúdios em Recife, Salvador, Fortaleza, Sobral e a própria capital paulista, refletindo literalmente a vida em trânsito da compositora. A faixa-título, por exemplo, traz guitarras em brasa e versos que abordam vulnerabilidade e resistência dentro da selva de concreto.

“Eu corro em cima da brasa acesa / No medo onde ninguém mergulha”, entoa Buhr em “Feixe de fogo”.

Por que ‘Feixe de fogo’ chega em hora decisiva

Além da guinada identitária, o lançamento responde a uma demanda crescente por representatividade. Segundo pesquisa da consultoria Box 1824, 33% da Geração Z brasileira consome preferencialmente artistas alinhados a pautas de diversidade de gênero. Ao abandonar o prenome Karina, Buhr reforça esse diálogo e se junta a vozes como Liniker e Jup do Bairro, ampliando o espectro não binário no rock nacional.

Há também o contexto pandêmico: canções como “Voaria” e “Motor de agonia” falam de ruas vazias e corações acelerados, reflexos de um período em que, de acordo com a Federação Internacional da Indústria Fonográfica, o consumo de música em casa saltou 51%. A união de letras confessionais a timbres ásperos explica por que a crítica especializada já atribui quatro estrelas ao álbum.

O que você acha? A troca de nome aumenta a potência artística ou seria o som quem fala mais alto? Para mais análises culturais, acesse nossa editoria Pop.


Crédito da imagem: Divulgação

Ana Catarina

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