Brasília – A Polícia Federal revelou na última segunda-feira (13) que um delegado brasileiro cedido ao Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE) foi fundamental para a prisão do ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) em Orlando, Flórida. Condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 16 anos por tentativa de golpe de Estado, o ex-diretor da Abin deixou o país clandestinamente e pretendia pedir asilo nos Estados Unidos.
- Em resumo: Alerta de delegado da PF em Miami pôs o ICE na trilha de Ramagem e resultou em sua detenção migratória.
Bastidores da cooperação PF-ICE
De acordo com o diretor-geral Andrei Rodrigues, a presença de policiais brasileiros em agências norte-americanas é fruto de acordos de cooperação que permitem ações conjuntas e troca de inteligência. Iniciativas semelhantes já ajudaram a localizar ao menos 27 foragidos de alta periculosidade nos últimos três anos, segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
O delegado em questão, lotado em Miami, emitiu alertas formais sobre a entrada irregular de Ramagem. A partir daí, o ICE monitorou voos internos e cruzou registros migratórios, culminando na sua captura em Orlando e transferência para um centro de detenção.
Ao blog, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, confirmou a informação e disse que o trabalho do delegado brasileiro junto ao ICE faz parte de uma cooperação das autoridades brasileiras com agências norte-americanas.
De rota clandestina a cela migratória
As investigações mostram que Ramagem atravessou a fronteira de Roraima com a Guiana antes mesmo de o STF concluir o julgamento. De lá, voou até os Estados Unidos utilizando documentação não sujeita a checagem biométrica rigorosa. Em 30 de dezembro de 2025, a Embaixada do Brasil em Washington encaminhou ao Departamento de Estado o pedido de extradição, cumprindo o tratado bilateral firmado em 1962.

Especialistas lembram que, nos EUA, 95% dos detidos por infrações migratórias aguardam decisão judicial em centros fechados, e o prazo médio de processamento de extradições brasileiras é de 8,5 meses. Enquanto isso, a Câmara dos Deputados já cassou o mandato de Ramagem e bloqueou seus vencimentos, aprofundando o isolamento político do ex-parlamentar.
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