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terça-feira, abril 14, 2026

Bloqueio de Ormuz eleva Brent a US$95 e ameaça inflação

Brasília – O bloqueio do Estreito de Ormuz pelos Estados Unidos, na última segunda-feira (13), acendeu o alerta no mercado de energia e já reverbera no bolso do brasileiro: analistas projetam o barril do Brent perto de US$ 95, pavimentando nova rodada de alta nos combustíveis e, por tabela, na inflação.

  • Em resumo: Tensão no Golfo corta rota por onde passa até 21% do petróleo mundial e pressiona preços antes mesmo de faltar oferta.

Por que Ormuz é o gargalo decisivo

Localizado entre o Irã e Omã, o estreito de 39 km de largura responde por quase um quinto do petróleo que navega diariamente. Qualquer interrupção ali dispara o “prêmio de risco” da commodity. A CEO da Magno Investimentos, Olívia Flôres de Brás, resume o efeito dominó: “Quando o risco entra, o preço sobe antes do problema acontecer”.

Nas mesas de operação, o antigo intervalo de US$ 75 a US$ 85 para 2026 virou miragem; projeções já partem de US$ 85 e miram US$ 95. Historicamente, cada alta de US$ 10 no Brent adiciona cerca de 0,4 ponto percentual ao IPCA brasileiro, segundo cálculos do Banco Central.

“Se o petróleo permanece alto, tudo muda. O repasse é inevitável, seja via preço na bomba ou via inflação”, alerta Brás.

Impacto imediato: bomba de gasolina e IPCA

A Agência Nacional do Petróleo (ANP) registrou avanço de R$ 0,72 no litro do diesel desde fevereiro. Para o economista-chefe Felipe Oliveira, o problema não é escassez, mas custo: “A frota nacional roda majoritariamente a diesel; frete mais caro respinga em toda a cadeia de consumo”.

O efeito já aparece nos números: o grupo Transportes puxou 1,64% da inflação de março. Dados oficiais do IBGE revelam que combustíveis subiram 4,59% no período, bem acima da média do índice.

Se o bloqueio persistir, Petrobras tende a manter a política de preços alinhada ao mercado internacional. Na prática, o alívio só virá com diplomacia — ou com aumento da produção de outros players, como Estados Unidos e Arábia Saudita, algo que historicamente leva meses.

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Crédito da imagem: Divulgação

Marta Silva
Marta Silva
Atuo como jornalista independente, desenvolvendo conteúdos informativos com olhar crítico e apuração responsável. Meu trabalho é guiado pela busca por fatos relevantes, contexto claro e informação confiável para o leitor.
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