Banco Mundial – Em Washington, a instituição sinalizou que pode destravar entre US$ 80 bilhões e US$ 100 bilhões nos próximos 15 meses para amortecer o choque econômico da guerra no Oriente Médio, superando o volume liberado na pandemia.
- Em resumo: Na prática, países pobres poderão antecipar até 10% de verbas já aprovadas e realocar programas inteiros para segurar inflação e queda do PIB.
Como o dinheiro será liberado
O presidente Ajay Banga detalhou que US$ 20 bilhões a US$ 25 bilhões virão “nas próximas semanas” pela janela de resposta a crises. Outros US$ 30 bilhões a US$ 40 bilhões devem surgir em até seis meses, com remanejamento de projetos em curso. A medida reedita, em escala maior, a estratégia usada na Covid-19, quando o banco injetou US$ 70 bilhões no sistema. Relatórios oficiais mostram que o Banco Mundial costuma aprovar cerca de US$ 65 bilhões ao ano em empréstimos regulares — ou seja, o pacote excepcional quase duplica essa média.
Segundo Banga, se o conflito se arrastar, o balanço da instituição poderá ser usado para captar valores adicionais no mercado, elevando o “poder de fogo” acima da faixa projetada.
“Estou criando um kit de ferramentas escalonado para garantir resposta adequada, qualquer que seja a duração da guerra”, afirmou Ajay Banga, em Washington, na terça-feira (14).
Por que isso importa para economias emergentes
O FMI reduziu a previsão de crescimento global para 2026 em meio ponto percentual, citando disparada no preço da energia. No cenário-base, o Brasil deve crescer 1,9%, mas países sem reservas cambiais correm risco maior. Historicamente, choques de petróleo pressionam a inflação desses mercados: após a crise de 1979, por exemplo, a inflação média latino-americana saltou de 41% para 87% em dois anos, segundo série histórica do próprio Fundo.

Com o novo pacote, governos poderão subsidiar combustíveis de forma focalizada, reforçar estoques de alimentos e proteger programas sociais, evitando repetir a onda de instabilidade vista em 2022, quando 62 nações decretaram estado de emergência alimentar, de acordo com dados do Programa Mundial de Alimentos.
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