PF congela R$1,6 bi e mira selo de MC Ryan SP, a Bololô

Santos/SP – A Operação Narco Fluxo, deflagrada pela Polícia Federal na última quarta-feira (15), levou ao bloqueio imediato de contas e criptoativos da Bololô Records, produtora fundada por MC Ryan SP, e de mais três empresas ligadas ao funkeiro. A ofensiva mira um suposto esquema que teria lavado R$ 1,6 bilhão por meio de apostas ilegais, rifas digitais e transações em espécie.

  • Em resumo: Justiça impôs 39 prisões temporárias e congelou patrimônio de artistas e empresários que, segundo a PF, misturavam lucros do funk com dinheiro sujo.

Como funcionava o “narco fluxo” de dinheiro

De acordo com o inquérito, grandes quantias circulavam entre selos fonográficos, casas de shows e plataformas de criptoativos para mascarar a origem dos valores. O relatório cita transferências diretas do empresário Rodrigo Inácio, da GR6 Eventos, para MC Ryan SP, além de operações sem lastro atribuídas a Henrique “Rato” Viana, dono da Love Funk. A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) classifica esse modelo como “lavagem em camadas”, etapa em que o rastro do dinheiro é deliberadamente embaralhado.

Entre os alvos também estão os MCs Poze do Rodo e Ryan SP, detidos enquanto a PF recolhia documentos, celulares e computadores que possam comprovar a triangulação entre apostas, eventos e criptoativos.

A ação visa desarticular “uma associação criminosa voltada à movimentação ilícita que ultrapassa R$ 1,6 bilhão”, detalha o despacho da 5ª Vara Federal de Santos.

Por que o caso assusta o mercado do funk

O gênero movimenta cifras milionárias: só no Spotify, faixas de funk geraram mais de 10 bilhões de streams em 2025, segundo levantamento da plataforma. Especialistas apontam que a informalidade de shows em comunidades e o uso crescente de criptomoedas ampliam brechas para lavagem, prática tipificada pela Lei 9.613/1998 com pena de até 10 anos de prisão.

Dados do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) mostram que, em 2023, as comunicações suspeitas ligadas ao setor de entretenimento cresceram 37 %. O bloqueio de R$ 1,6 bilhão, portanto, sinaliza um endurecimento raro na aplicação da lei e pode afetar contratos de artistas consagrados, como MC Livinho e MC Hariel, geridos pela GR6.

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Crédito da imagem: Divulgação

Ana Catarina

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