São Paulo – A decisão de Virgínia Fonseca de cortar séries pesadas e diminuir ritmo aeróbico, após o diagnóstico de enxaqueca crônica, lança luz sobre um dilema comum a milhões de brasileiros: será que malhar pode, de fato, detonar uma crise?
- Em resumo: especialista diz que picos de esforço podem ativar a dor, mas regularidade preserva benefícios do exercício.
Por que a intensidade vira gatilho
O neurologista que acompanha a influenciadora explica que a variação brusca de frequência cardíaca e a queda repentina de glicose são gatilhos clássicos de enxaqueca. Segundo o Ministério da Saúde, cerca de 15% da população convive com o problema, predominando em mulheres de 20 a 45 anos.
Exercícios de alta performance, como HIIT e cross training, elevam a liberação de catecolaminas, substâncias que podem sensibilizar vasos cerebrais. Para quem já apresenta predisposição genética – caso relatado por Virgínia –, o risco de crise cresce.
“Priorizar regularidade em vez de intensidade é a chave para continuar se exercitando sem sofrer”, orienta o médico que participou do vídeo da influenciadora.
Como manter o condicionamento sem abrir mão da saúde
A orientação geral para pacientes com enxaqueca é realizar, no mínimo, 150 minutos semanais de atividade aeróbica leve ou moderada, distribuídos em cinco dias. Treinos de força seguem permitidos, mas com cargas menores e pausas maiores entre as séries.
Alongamento, hidratação antes e depois do treino e alimentação rica em magnésio (aveia, espinafre e castanhas) aparecem entre as recomendações auxiliares. Estudos do American Headache Society apontam redução de até 40% na frequência das crises quando o exercício é adaptado.

No caso de Virgínia, a meta agora é fortalecer a musculatura com séries curtas e constância diária, além de reservar sessões de descanso ativo. A estratégia preserva a liberação de endorfinas – analgésicos naturais do corpo – sem provocar sobrecarga sistêmica.
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