São Paulo/SP – Na manhã desta quarta-feira (15), a Polícia Federal desencadeou a Operação Narco Fluxo para desmontar um esquema que, segundo os investigadores, lavou R$ 1,6 bilhão por meio de produtoras de funk, rifas digitais e criptoativos. A ação, acompanhada em tempo real pela transmissão da Record, expõe a face financeira oculta do showbusiness e coloca empresários, MCs e influenciadores no centro da maior blitz antipirataria do setor musical deste ano.
- Em resumo: 39 mandados, bloqueio bilionário e prisões de nomes de peso do funk paulista.
Entenda o esquema bilionário
De acordo com a Polícia Federal, as produtoras GR6 Eventos e Love Funk funcionavam como ponto de passagem para recursos vindos do tráfico de drogas, jogos de azar e rifas on-line. O dinheiro circulava em criptoativos, viagens com malas de espécie e contas de laranjas até voltar “limpo” para contratos de shows e publicidade.
O método lembra práticas detalhadas em estudo da Febraban sobre prevenção à lavagem de dinheiro, que aponta que cerca de 2,7% do PIB brasileiro pode transitar anualmente em operações suspeitas.
“As transações citadas referem-se a relações comerciais lícitas e regulares”, alegou a defesa de Rodrigo Inácio, sócio da GR6, reforçando que há notas fiscais para cada operação.
Repercussão e impacto no showbusiness
Entre os presos estão os artistas MC Ryan SP e MC Poze do Rodo, além de Raphael “Choquei” Oliveira e Chrys Dias, influenciadores que impulsionavam rifas premiadas nas redes sociais. Especialistas lembram que a Lei 9.613/1998 prevê penas de até 10 anos para lavagem de dinheiro, agravadas quando há associação criminosa.
O cerco acende alerta no mercado: levantamento do Banco Central indica que eventos e entretenimento movimentaram R$ 34 bilhões em 2025. Ao vincular essa cadeia a facções, a investigação pode desencadear normas mais duras de compliance para produtoras, plataformas de streaming e influenciadores.

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