Washington, D.C. – Um júri federal concluiu em 15 de abril que a Live Nation e sua subsidiária Ticketmaster mantêm um monopólio que distorce o mercado de shows nos Estados Unidos, abrindo caminho para punições que podem atingir cifras bilionárias e redefinir a compra de ingressos em todo o país.
- Em resumo: Empresas podem pagar centenas de milhões só pelo sobrepreço de US$ 1,72 por ingresso em 22 estados.
Como o veredicto foi construído
Durante seis semanas de depoimentos, o júri ouviu do CEO Michael Rapino a justificativa de que “um ataque cibernético” causou o caos na venda para a turnê de Taylor Swift em 2022. Vieram também à tona e-mails internos em que um executivo chamava certos valores de “absurdos” e os clientes de “muito estúpidos”. Esse material, na visão da promotoria, comprovou as práticas abusivas citadas pelos 34 estados e pelo Distrito de Columbia.
Segundo levantamento citado no processo, a Ticketmaster controla 86% das bilheterias de shows e 73% do mercado total de eventos ao vivo nos EUA — participação que, de acordo com especialistas ouvidos pela revista Variety, dificilmente encontra paralelo em outros setores de entretenimento.
“É um grande dia para a legislação antitruste”, celebrou o advogado Jeffrey Kessler, responsável pela ação coletiva dos estados.
O que pode acontecer agora
Até o fim da próxima semana, defesa, acusação e governo devem apresentar ao juiz um cronograma para definir multas e eventuais desmembramentos da empresa — possibilidade que inclui a venda de arenas e anfiteatros. Apenas o sobrepreço já identificado equivale a cerca de US$ 200 milhões, mas as penalidades podem ir muito além.
Para o consumidor, o caso reabre o debate sobre as chamadas “taxas de serviço”. Dados do Atlas da Violência Econômica mostram que encargos extras podem elevar o valor final em até 25% nos EUA. No Brasil, estudo da Febraban aponta crescimento semelhante após 2020, reflexo da concentração de plataformas.

Por que isso importa ao fã brasileiro
A decisão cria precedente: se a Ticketmaster perder força ou for obrigada a se separar da Live Nation, novas empresas podem disputar turnês globais — inclusive na América Latina, onde shows internacionais se multiplicam. Especialistas em direito da concorrência lembram que o Departamento de Justiça norte-americano costuma inspirar ações na Europa e na América do Sul, como ocorreu nos casos Microsoft e Google.
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