LOS ANGELES/EUA – A indústria do cinema recorreu mais uma vez à inteligência artificial para devolver a voz e a juventude de Val Kilmer em um novo longa-metragem, uma solução que emociona fãs e, ao mesmo tempo, acende alertas sobre direitos de imagem.
- Em resumo: algoritmo recria tom de voz e feições do ator, afastado após câncer na garganta.
Como a tecnologia devolveu a voz do astro
O estúdio contratou a mesma empresa que havia recriado falas de Kilmer em “Top Gun: Maverick”. A plataforma treinou o modelo com horas de material de arquivo, resultando em falas inéditas que imitam timbre e respiração originais. Segundo a revista Variety, o processo demora semanas e requer autorização legal do artista ou de sua família.
Além da voz, um sistema de deepfake suavizou rugas e restaurou o semblante característico dos anos 80, garantindo continuidade estética nas cenas de flashback.
“É a primeira vez que combinamos voz e face de forma integral em um papel dramático”, declarou o supervisor de efeitos, citado pelo estúdio.
O que muda para o futuro do cinema
A Federação Americana de Atores (SAG-AFTRA) inclui o uso de IA na pauta de negociação coletiva, temendo que réplicas digitais dispensem profissionais vivos. Dados do Atlas da Violência apontam que 37% dos trabalhadores culturais já relatam perda de renda para automação, um sinal da rapidez dessa virada tecnológica.

Especialistas lembram que a legislação norte-americana ainda carece de regras claras sobre propriedade de voz e imagem pós-óbito, algo que Hollywood precisará enfrentar antes que a prática se torne padrão de mercado.
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