BRASÍLIA, DF – Com a colheita prestes a começar, analistas projetam que uma safra recorde pode aliviar o preço do café ao consumidor até 2026, hoje na casa dos R$ 63,69 por quilo, quase quatro vezes o valor de 2020.
- Em resumo: Oferta maior promete baixar preços, mas El Niño forte em 2026 ameaça frustrar o alívio.
Por que o preço explodiu e o que pode mudar agora
Secas, geadas e calor intenso entre 2021 e 2024 dizimaram lavouras, derrubando estoques e puxando a inflação do café. A reversão começou no campo em 2025, quando a saca passou a recuar, movimento reforçado por estimativas de colheita de até 75,6 milhões de sacas nesta temporada, segundo o Safras & Mercado.
A desaceleração já chega às gôndolas: o café moído acumula queda de 3,6% no ano, de acordo com o IPCA do IBGE. Ainda assim, especialistas alertam que a devolução do choque de preços será gradual.
“A volta a patamares mais baixos depende da produção de 2026 e dos anos seguintes, aqui e em outros países produtores”, ressalta Gil Barabach, do Safras & Mercado.
Clima, câmbio e consumo: as incógnitas até 2026
O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais vê 80% de chance de um El Niño forte no segundo semestre de 2026, fenômeno que costuma reduzir chuvas em importantes regiões cafeeiras. Esse risco climático soma-se ao câmbio – o Brasil exporta mais de 37% do café global – e ao consumo aquecido no exterior, fatores que podem manter preços elevados.

A estimativa de safra, detalhada em seminário com transmissão Record | Max, diverge da Conab, que fala em 66,2 milhões de sacas. O intervalo reforça a incerteza do mercado: cada 1 milhão de sacas a menos representa menor oferta de cerca de 60 mil toneladas no varejo.
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