FORTALEZA/CE – Na comunidade Jardim do Éden, região do Grande Bom Jardim, um projeto da Polícia Militar do Ceará vem mudando rotas de vida: desde 2023, 30 crianças recebem reforço escolar gratuito duas vezes por semana, afastando-se de ambientes de risco e ganhando novas perspectivas.
- Em resumo: PMCE oferece aulas de português e matemática a crianças, inclusive com autismo e TDAH, sob comando da soldado pedagoga Marina.
Aula que blinda contra a evasão
As atividades acontecem às terças e quintas-feiras, manhã e tarde, dentro da circunscrição da 2ª Companhia do 17º BPM. O pré-requisito é simples: estar matriculado na rede pública e apresentar documentação básica. A soldado Marina, formada em Pedagogia e especializada em educação especial, conduz as turmas e adapta o conteúdo para cada perfil.
O Ceará figura entre os estados com melhor desempenho no ensino fundamental, mas ainda enfrenta desafios: segundo o Inep, 3 em cada 10 estudantes brasileiros do 5º ano não alcançam o nível adequado de leitura. Iniciativas locais como esta ajudam a reduzir esse déficit e, de quebra, fortalecem laços entre polícia e comunidade.
“Quando você leva educação, orientação e presença para crianças e famílias, reduz a exposição à violência e cria perspectiva de futuro”, destaca a soldado Marina.
Por que a PM aposta na educação
A PMCE usa a sala de aula como ferramenta de prevenção primária. Estudos do Fórum Brasileiro de Segurança Pública apontam que cada ano extra de escolaridade pode diminuir em até 6% a probabilidade de envolvimento juvenil com a criminalidade. Ao oferecer reforço em português e matemática — matérias que concentram as maiores taxas de reprovação no ensino fundamental — o projeto “Educação e Paz: Construindo e Multiplicando Sonhos” atua na raiz do problema.

O atendimento a alunos com autismo e TDAH também faz diferença. A legislação brasileira garante inclusão, mas quase 40% das escolas públicas ainda não contam com apoio especializado, mostram dados do Censo Escolar 2023. A presença de uma profissional com formação em psicopedagogia clínica e institucional preenche essa lacuna sem custos para as famílias.
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