Rio de Janeiro – A Justiça Federal de São Paulo confirmou a prisão preventiva de Marlon Brendon Coelho Couto Silva, o MC Poze do Rodo, 27, durante audiência de custódia virtual realizada no presídio José Frederico Marques, em Benfica. A decisão mantém o funkeiro atrás das grades enquanto avançam as investigações da Operação Narcofluxo, que mira um suposto esquema de lavagem de R$ 1,6 bilhão.
- Em resumo: Artista é investigado por movimentar recursos ilícitos, inclusive com criptoativos, no Brasil e no exterior.
Por que a Justiça não concedeu liberdade
Segundo a Polícia Federal, Poze foi preso em casa, no Recreio dos Bandeirantes, na última quarta-feira (15). Os investigadores apontam que a organização criminosa usava contas de fachada e moedas digitais para mascarar a origem do dinheiro. O juiz considerou que soltar o cantor poderia atrapalhar a coleta de provas e a localização de valores que ainda estariam circulando.
A operação também capturou MC Ryan SP e Raphael Sousa Oliveira, criador do perfil Choquei. Juntos, eles são acusados de integrar a mesma engrenagem de fraudes financeiras. De acordo com a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), golpes envolvendo ativos digitais cresceram 44 % no último ano, reforçando a preocupação das autoridades com crimes de “alto impacto” e difícil rastreamento.
“Os agentes daqui também não sabem do que se trata, já que apenas cumpriram mandados”, afirmou o advogado Fernando Henrique Cardoso Neves, que ainda não teve acesso ao inquérito.
Criptomoedas na mira e cifras bilionárias
O volume investigado – R$ 1,6 bilhão – chama atenção: é mais que o orçamento anual de 30 % dos municípios brasileiros, segundo dados do Tesouro Nacional. Somente em 2023, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) recebeu 23 milhões de comunicações de operações suspeitas, boa parte relacionada a criptoativos.
A PF vai analisar transações em exchanges internacionais e no mercado de NFTs para rastrear a origem dos montantes. Especialistas lembram que, pela Lei 9.613/1998, quem movimenta recursos provenientes de crime pode pegar até 10 anos de prisão, além de multas milionárias.
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