Washington, EUA – Em plena reunião de Primavera do FMI e Banco Mundial, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, avisou que a eventual extinção da escala 6x1 só avançará no Brasil se o setor privado bancar a adaptação. Para ele, qualquer subsídio público “fere o ganho civilizacional” prometido pela redução da jornada.
- Em resumo: Durigan aceita fase de transição por setor, mas veta repasse da conta ao Tesouro Nacional.
Entenda a pressão por menos horas
A discussão ganhou tração depois que o deputado Paulo Azi apresentou relatório favorável, na CCJ, às PECs que reduzem a semana para quatro dias ou 40 h. O movimento segue tendência global: de acordo com estudo da Organização Internacional do Trabalho, 15 países testaram semanas encurtadas desde 2020.
No Brasil, a CLT permite até 44 h semanais. Sindicatos argumentam que a produtividade nacional já cresceu 8,4% em cinco anos, segundo o IBGE, e que folgas extras poderiam reduzir afastamentos por estresse.
"Não é possível que se queira financiar com recursos públicos da sociedade um avanço como esse", declarou Durigan.
Quem paga a conta e o que está em jogo
O relator propôs desonerar a folha para compensar custos das empresas, hipótese que Durigan rejeita. Hoje, a folha responde por 22% da carga tributária federal; qualquer redução exigiria novas fontes de receita, alerta o Banco Central.
Experiências internacionais sugerem que a transição impacta de forma desigual. No Reino Unido, 56% das companhias mantiveram a produtividade após um ano de semana de quatro dias. Já no setor de saúde, o custo extra chegou a 1,4% do PIB, aponta a University of Cambridge.
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