Chitãozinho e Xororó expulsos de hospital por Tião Carreiro
Chitãozinho e Xororó expulsos de hospital por Tião Carreiro – A curiosa situação ocorreu em meados da década de 1980, quando a dupla sertaneja decidiu visitar o lendário Tião Carreiro em um hospital de São Paulo e levar um violão de presente.
O encontro, porém, não saiu como o planejado: desconfiado e abalado pelo estado de saúde, o criador do pagode de viola mandou que os seguranças impedissem a entrada dos jovens cantores, gerando um mal-entendido que só seria resolvido horas depois.
Como tudo aconteceu
Internado para tratar complicações gastrointestinais e visivelmente debilitado, Tião Carreiro estranhou a chegada dos visitantes bem-vestidos no corredor do quarto. Segundo Xororó, em entrevista de 2019, o veterano temia ser visto sem chapéu e com cicatrizes à mostra, símbolo de vaidade para muitos artistas do sertanejo.
Sem permitir explicações, ele ordenou a retirada imediata da dupla – uma atitude que surpreendeu quem acompanhava seu quadro clínico. A famosa viola que seria entregue como homenagem ficou temporariamente na portaria do hospital. Curiosamente, o episódio é citado pelo Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira como um dos momentos mais folclóricos da trajetória do cantor.
Reconciliação e legado
Horas depois, já informado de quem eram os visitantes, Tião Carreiro chamou os músicos de volta ao quarto. O reencontro selou a paz: houve troca de experiências sobre técnicas de viola e a prometida entrega do instrumento.
O desfecho reforçou a admiração mútua entre gerações do sertanejo. Para pesquisadores do gênero, episódios como esse ilustram a transição do sertanejo de raiz para o chamado “sertanejo romântico”, fase liderada justamente por Chitãozinho e Xororó a partir dos anos 1990, quando o estilo passou a representar 17% das execuções radiofônicas brasileiras, de acordo com levantamento da Pro-Música Brasil.

Hoje, a história é relembrada como uma anedota que humaniza ídolos e revela bastidores da música caipira, segmento que movimenta shows, festivais e uma cadeia econômica estimada em R$ 2,5 bilhões anuais, segundo dados do Sebrae.
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Crédito da imagem: Divulgação