1 em cada 5 assalariados é pobre na Argentina; entenda o alerta

Buenos Aires, Argentina - Dados recém-divulgados por universidades locais mostram que ter carteira assinada deixou de ser sinônimo de estabilidade financeira no país vizinho, onde a inflação e a informalidade corroem a renda de milhões de trabalhadores.

  • Em resumo: 1 em cada 5 empregados registrados vive abaixo da linha da pobreza, cenário pior para informais.

Salário mínimo vale menos que em 2001

Levantamento do Instituto Interdisciplinar de Economia Política da Universidade de Buenos Aires (UBA) aponta oito quedas mensais seguidas no emprego formal até dezembro passado. O salário mínimo argentino já perde poder de compra comparável ao auge da crise de 2001, segundo os pesquisadores.

O fenômeno dos “trabalhadores pobres” descrito pela diretora Roxana Maurizio confirma a tendência: mesmo quem possui contrato assinado precisa de um segundo bico para fechar as contas, lógica que se repete em outros países latino-americanos, de acordo com dados do IBGE sobre renda e informalidade.

“Sinto que estou em modo sobrevivência”, relata Antonela, 37, que trabalha de segunda a sábado e ainda faz horas extras sem salário fixo.

Inflação alta + informalidade = renda derretida

Apesar de o governo Javier Milei festejar a taxa oficial de pobreza em 28%, analistas independentes contestam a metodologia e apontam que o pico de quase 53% foi provocado pela própria desvalorização cambial decretada no início do mandato. Hoje, seis milhões de argentinos atuam sem registro, grupo três vezes mais vulnerável à pobreza do que os formais.

Para efeito de comparação, o Brasil contabiliza cerca de 38,9 milhões de trabalhadores informais (PNAD/IBGE 2025), mas a inflação anual brasileira fechou em 4,5%, bem aquém dos 33% acumulados na Argentina. A Organização Internacional do Trabalho alerta que cada ponto percentual de aumento na informalidade reduz a massa salarial em até 0,35% na América Latina.

Nesse contexto, jovens e mulheres lideram o avanço da precarização, pressionando ainda mais o mercado formal. Conforme o Centro de Estudos Econômicos da Universidade Católica Argentina, quatro em cada dez entrevistados dizem viver pior do que seus pais — um baque na tradicional mobilidade social do país.

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Crédito da imagem: Divulgação

Marta Silva

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