Brejo Alegre (SP) – Na esteira da colheita da soja, agricultores do noroeste paulista aceleram o plantio de sorgo para não deixar a terra parada e, sobretudo, fugir do prejuízo causado pela estiagem e pelo alto custo do milho.
- Em resumo: Sorgo ocupa até 900 ha em fazendas locais, mas carência de armazéns pode frear ganhos.
Por que o sorgo ganhou espaço tão rápido?
Mais resistente à falta de chuva e com custo de produção até 30 % menor que o do milho, o sorgo virou a aposta de safra “relâmpago” na região. Dados recentes do IBGE apontam que, em 2025, o Brasil colheu mais de 2,6 milhões de toneladas do grão, avanço de 18 % em cinco anos.
Em Brejo Alegre, o produtor Odair Albano destinou 60 ha ao sorgo granífero, usado na ração de aves, suínos e bovinos. A colheita deverá ocorrer em até quatro meses – prazo decisivo para aproveitar preços firmes no mercado interno.
“Resistência à seca, menor adubação e rápido retorno fazem do sorgo nossa garantia de renda extra”, avalia a engenheira-agrônoma Isabela Redigolo.
Desafios logísticos podem virar vilões da rentabilidade
Na vizinha Mirandópolis, o produtor Marco Antonio Bordin arrendou 900 ha e já inicia a colheita. Embora o excesso de chuva no plantio tenha atrasado o ciclo, a maior dor de cabeça agora é outra: faltam silos específicos para armazenar o grão.
Sem infraestrutura, muitos agricultores vendem logo após a colheita, aceitando preços menores. Segundo levantamento do Ministério da Agricultura, o déficit de armazenagem no interior paulista passa de 20 %, cenário que pressiona margens justamente quando os custos de fertilizantes seguem em patamar elevado.
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