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Nova York, Fed de Nova York – A falta de vagas compatíveis com a formação empurrou 42,9% dos norte-americanos de 22 a 27 anos para funções que dispensam diploma, índice mais alto desde a pandemia e divulgado na última análise do banco central regional.

  • Em resumo: Concorrência acirrada, juros altos e avanço da IA frearam as contratações de nível inicial.

Por que o canudo não garante mais vaga

De 2004 a 2024, o total de graduados nos EUA disparou 54%, mas as oportunidades de entrada cresceram apenas 42%, segundo a consultoria Lightcast. Esse descompasso se soma à automação: setores como desenvolvimento de software e atendimento ao cliente reduziram vagas júnior conforme ferramentas de IA ganharam escala, aponta pesquisa de Stanford e Harvard.

A combinação de oferta maior de talentos e menor rotatividade permite que empresas escolham profissionais experientes para posições que antes serviam de porta de entrada. Dados do Bureau of Labor Statistics mostram que, mesmo com desemprego geral em 3,9%, a participação dos recém-formados em empregos de baixa qualificação subiu de forma contínua nos dois últimos anos.

“Esta é a primeira vez que o caminho da educação para o emprego está, de certa forma, interrompido”, disse Elena Magrini, da Lightcast, à Bloomberg.

Setores em alta e o peso da dívida estudantil

O desalinhamento não é uniforme. Na saúde, havia 1,9 milhão de vagas de entrada em 2024, mas o número de formados na última década cresceu só 5%. Já em ciência da computação, as graduações saltaram 110% e as vagas apenas 6%. O resultado é um exército de jovens como Cody Viscardis, 29, que enviou quase mil currículos em tecnologia antes de aceitar trabalho como eletricista a US$ 63/hora.

O cenário agrava outro problema: a dívida estudantil. Segundo o Federal Student Aid, o saldo total supera US$ 1,6 trilhão, pressionando recém-formados a aceitar qualquer renda imediata. Especialistas lembram, porém, que boa parte desses profissionais migra para atividades alinhadas ao diploma em até cinco anos, fenômeno semelhante ao pós-crise de 2008.

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Crédito da imagem: Divulgação

Marta Silva

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