Confederação Nacional do Comércio (CNC) – O recorde de 80,4% das famílias endividadas expõe, desde março, um Brasil sufocado por juros de 435,9% no rotativo do cartão e pelo avanço das plataformas de apostas virtuais, combinação que ameaça o orçamento de 82 milhões de inadimplentes em pleno ano eleitoral.
- Em resumo: Dívidas já consomem 29,6% da renda familiar, segundo a Peic.
Limite do cartão vira armadilha de 435% ao ano
O rotativo, acionado quando a fatura não é quitada, cobra juros médios de 435,9% ao ano, mostram dados do Banco Central. Embora uma norma de 2024 limite o crescimento da dívida ao dobro do valor original, o número de ligações de cobrança disparou.
Cartões respondem por 84,9% das pendências; crediário e empréstimo pessoal completam a lista. Para especialistas, a oferta fácil de crédito desde a pandemia, sem análise fina de risco, sustenta a escalada.
“Eu recebo por volta de 20 ligações de cobrança por dia”, relata Bárbara, psicóloga catarinense com R$ 20 mil em atraso.
Bets aceleram a bola de neve financeira
A popularização das apostas online adicionou combustível ao endividamento. Nicole, 21, acumula débitos em cinco bancos após tentar “recuperar” perdas em jogos. Ela exemplifica a ligação entre crédito fácil e promessa de ganho rápido.
Para conter o estrago, o governo estuda incluir apostadores no novo Desenrola e liberar até R$ 7 bilhões do FGTS para quitação imediata. Economistas alertam: sem educação financeira – direito previsto no Art. 4º do Código de Defesa do Consumidor – a solução será apenas paliativa.
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Crédito da imagem: Getty Images via BBC Brasil