São Paulo (SP) – O ator Juliano Cazarré agendou para 24, 25 e 26 de julho, na capital paulista, a imersão presencial “O Farol e a Forja”, voltada a homens que se sentem “enfraquecidos”. A iniciativa, divulgada como “o maior encontro de homens do Brasil”, motivou forte reação de atrizes que enxergam no projeto um discurso capaz de alimentar a violência de gênero.
- Em resumo: Colegas afirmam que o curso ignora o recorde de feminicídios e perpetua estruturas machistas.
O que o curso promete
Cazarré divide a imersão em três pilares: carreira e legado; vida pessoal, com ênfase em paternidade e dieta; e “vida interior”, encerrada com missa. No vídeo de divulgação, ele alega que a sociedade “desampara a figura masculina” e convida homens a “assumirem seu papel”.
A página oficial ainda está em pré-venda, mas o ator afirma esperar lotação completa para as 72 horas de atividades presenciais.
“Você só está reproduzindo um discurso que mata mulheres todos os dias.” – comentário de Marjorie Estiano no Instagram do ator.
Por que as críticas ganharam força
Artistas como Claudia Abreu, Elisa Lucinda e Guta Stresser reforçaram que o Brasil registrou 1.437 feminicídios em 2022, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. O dado, recorde na série histórica, sustenta a tese de que discursos sobre “enfraquecimento masculino” podem minimizar a urgência de proteger mulheres.
Especialistas em gênero lembram que a Lei 13.104/2015 tipificou o feminicídio e que, embora a legislação avance, a cada sete horas uma mulher é assassinada no país. Para as atrizes, usar referências cristãs para “reerguer” homens sem abordar o contexto de agressões distorce valores religiosos e sociais.
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