MADRID, Espanha - Em plena preparação para defender o título de Roland Garros, Coco Gauff surpreendeu ao classificar o saibro como “o rapaz que te trata bem, mas com quem não há química”, metáfora que expõe as dores e delícias da superfície que a consagrou.
- Em resumo: Mesmo campeã em Paris, Gauff admite desconforto com sujeira, quedas e instabilidade do saibro madrilenho.
Por que o saibro ainda irrita a atual rainha de Roland Garros?
A norte-americana, número 3 do mundo, reconhece que a terra batida favorece seu jogo pesado, mas replica que “suja as meias, provoca cortes e nunca é totalmente estável”. Estudos da WTA indicam que a imprevisibilidade do quique sobre o saibro aumenta em até 20 % quando a umidade do piso varia, justificando o incômodo.
Em Madrid, o problema ganha outra camada: a altitude de 657 m acelera a bola e exige ajustes finos no timing de golpe.
“A terra batida é como o rapaz que te trata bem, mas com quem não há química… preciso de mais estabilidade na minha vida”, disparou Gauff, arrancando risos na sala de imprensa.
Altitude, bolas leves e o quebra-cabeça tático
Segundo dados da Federação Espanhola de Tênis, a bola chega a viajar 5 km/h mais rápida na Caja Mágica. Gauff admite que precisou “confiar mais nas pancadas” e deixar o ar rarefeito trabalhar a favor. Não por acaso, 43 % dos pontos vencidos por ela em Madrid nos últimos dois anos vieram de erros forçados das rivais, acima da média do circuito (34 %).
Para especialistas, a adaptação da americana em altitude reforça o favoritismo para Paris. Desde a criação do ranking moderno, apenas três tenistas abaixo dos 21 anos conquistaram Roland Garros sem perder sets; Gauff tenta repetir o feito e ainda superar a estatística de que campeãs com título anterior chegam pelo menos às quartas (86 % dos casos, segundo a ITF).
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