Silverstone, Inglaterra – O campeão mundial Nigel Mansell voltou às manchetes ao afirmar que o regulamento de 2026 pode “desfigurar” a essência das corridas, ao trocar a sensibilidade humana por decisões de algoritmos embarcados nos novos motores híbridos 50/50.
- Em resumo: Mansell teme que a F1 vire uma “guerra de software”, tirando autonomia dos pilotos.
Uma encruzilhada tecnológica para a categoria
Pelo texto aprovado pela FIA, os carros passarão a rodar com metade da potência gerada por combustão e metade por energia elétrica, usando combustível sintético. A medida diminui emissões, mas amplia a complexidade dos sistemas de recuperação de energia e dos mapas eletrônicos. Segundo dados da Anfavea, veículos eletrificados representaram apenas 7,3% das vendas no Brasil em 2023, sinal de que a transição global ainda é lenta.
Mansell argumenta que, na prática, o piloto deixará de gerenciar o carro em tempo real: sensores e softwares decidirão o ponto de frenagem ideal, o nível de regeneração e até quando acionar o modo elétrico completo.
“Os pilotos podem infringir tantos regulamentos, e ainda assim são os computadores que fazem tudo. Eu gostaria de ver mais autonomia para os pilotos”, disparou Mansell.
Impacto esportivo e financeiro em jogo
Além do debate sobre espetáculo, há números bilionários envolvidos. Cada fabricante investe, em média, US$ 1 bilhão no novo power unit, estimam analistas da consultoria britânica Motorsport Network. Isso pressiona equipes menores, que podem viver cenário semelhante ao da era turbo-elétrica de 2014, quando disparou o abismo de performance.
O britânico também relembrou que grandes mudanças técnicas exigem anos de maturação. Prova disso é que a própria FIA precisou de três temporadas para calibrar o sistema de limite de custo, introduzido em 2021.
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