Escolas de SP usam quadrinhos para ensino da história afro
Escolas de SP usam quadrinhos para ensino da história afro – Na rede pública paulista, quadrinhos, rodas de conversa e formações docentes têm impulsionado a aplicação da Lei 10.639, em vigor desde 2003, que determina o ensino da história e cultura afro-brasileira da educação infantil ao ensino médio.
Duas décadas depois da criação da norma, conflitos motivados por questões religiosas ainda surgem, mas iniciativas de educadores mostram caminhos práticos para uma abordagem antirracista.
Quadrinhos, mitologia comparada e rodas de conversa
Na Escola Municipal Solano Trindade, na zona oeste da capital, a professora de geografia Núbia Esteves utiliza quadrinhos e debates para apresentar os orixás como personagens culturais, sem viés religioso.
Em sala, estudantes relacionam Iansã a Atena e Oxum a Afrodite, explorando semelhanças nas mitologias africana e grega. O recurso lúdico facilita o diálogo sobre preservação ambiental, ética e convivência.
Acervo de 700 mil livros e apoio pedagógico
Para garantir material adequado, a Secretaria Municipal de Educação distribuiu 700 mil exemplares com temática étnico-racial em 2022. O Núcleo de Educação para as Relações Étnico-Raciais (NEER) orienta as escolas a integrar esse acervo ao currículo.
No âmbito estadual, o Programa Multiplica Educação Antirracista já formou 6,8 mil docentes desde 2024. Os cursos abordam cultura e religiosidade africanas, reforçando que conteúdos sejam inseridos na rotina escolar.
Desafios persistem após 20 anos de lei
Mesmo com avanços, casos de resistência ainda ocorrem, como a entrada de policiais em uma escola após pai contestar desenho de orixá feito pela filha. Especialistas apontam que a falta de diálogo sobre laicidade e diversidade cultural mantém obstáculos.

Segundo dados do Inep, o Censo Escolar 2023 mostra que 53 % dos docentes do ensino básico em São Paulo se autodeclaram brancos, o que reforça a necessidade de formações que contemplem pluralidade racial e cultural.
Por que abordar a cultura afro é essencial
Pesquisas do Fórum Brasileiro de Segurança Pública indicam que estudantes negros são mais vulneráveis a episódios de discriminação. Ao estudar a contribuição dos povos africanos, a escola colabora para reduzir preconceitos e promover cidadania.
A professora Núbia resume: “Quando conhecemos mitos africanos com o mesmo respeito dado à mitologia grega, descolonizamos o currículo e combatemos o racismo”.
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Crédito da imagem: Divulgação / Agência Brasil
