Achado de ‘petróleo’ deixa agricultor com dívida de R$15 mil no CE
Tabuleiro do Norte (CE) – Ao perfurar o solo para resolver a falta crônica de água, o agricultor Sidrônio Moreira contraiu um empréstimo de R$ 15 mil e, em vez de água, viu jorrar um líquido escuro com cheiro de combustível. O susto financeiro e ambiental agora depende de um laudo definitivo da Agência Nacional do Petróleo (ANP) para saber se o material é petróleo.
- Em resumo: Dívida alta, poços interditados e espera pelo veredicto da ANP.
Por que a água virou um problema ainda maior
A região do Vale do Jaguaribe convive com estiagens prolongadas; segundo dados do IBGE, 30% das moradias rurais do Ceará não têm rede encanada. Na tentativa de escapar dos carros-pipa, Sidrônio perfurou dois poços em novembro de 2024. Nenhum deles entregou o que ele precisava: água.
Agora, por recomendação da ANP, as áreas estão isoladas até que o laudo químico fique pronto. Nesse período, a família continua dependendo de caminhões-pipa e vive a incerteza de como quitar o empréstimo, cujas parcelas já comprometem aposentadorias e a venda de pequenos rebanhos.
“Mas agora nem água e nem os R$ 15 mil”, lamentou o agricultor ao relembrar a perfuração frustrada.
O que acontece se o líquido for mesmo petróleo
Pelo artigo 20 da Constituição, o subsolo e suas riquezas pertencem à União. Se o poço for considerado comercialmente viável, a terra pode entrar em regime de concessão, e o proprietário tem direito a participação especial que pode chegar a 1% do lucro líquido da produção.
Especialistas alertam que a ANP primeiro avalia o tamanho da jazida; achados semelhantes no interior do Nordeste já foram descartados por baixo volume. Caso avance, a fase de testes e licenciamento ambiental leva anos, o que significa que qualquer compensação financeira seria de longo prazo.

Novo projeto de adutora pode aliviar situação
A prefeitura informou que uma adutora em construção na zona rural deve ficar pronta até o fim de março e atender mais de 700 famílias, incluindo a de Sidrônio. Se a obra cumprir o cronograma, a água encanada poderá chegar antes mesmo da resposta sobre o “petróleo”.
Enquanto isso, o agricultor mantém “os pés no chão” e segue a rotina de plantar feijão, milho e cuidar dos animais, sem fazer planos mirabolantes. O filho, Sidnei Moreira, resume: “Nossa intenção sempre foi água, não petróleo”.
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Crédito da imagem: Divulgação
