Acordo Taiwan-EUA libera US$90 bi e derruba tarifas a 15%
WASHINGTON, EUA – Em negociação divulgada recentemente, Estados Unidos e Taiwan selaram um pacto que corta para 15% as tarifas sobre produtos taiwaneses e obriga Taipé a comprar mais de US$ 90 bilhões em energia e equipamentos americanos até 2029, reacendendo a disputa asiática por cadeias de suprimento de alta tecnologia.
- Em resumo: Taiwan destina US$ 44,4 bi a gás natural dos EUA e elimina tarifas de até 26% sobre carnes e grãos americanos.
Por que o acordo muda o jogo comercial?
O documento detalha, pela primeira vez, um cronograma para que Taiwan reduza ou zere tributos sobre “quase todos” os bens norte-americanos. Entre 2025 e 2029, o país asiático se compromete a importar US$ 44,4 bilhões em gás natural liquefeito e petróleo, US$ 15,2 bilhões em aeronaves civis e motores e US$ 25,2 bilhões em equipamentos para redes elétricas e siderurgia, segundo o Escritório do Representante de Comércio dos EUA.
Além disso, barreiras não tarifárias a veículos, dispositivos médicos e medicamentos serão retiradas, alinhando-se às normas regulatórias americanas. Segundo dados do Banco Central, Taiwan já figura entre os dez maiores detentores de reservas cambiais do planeta, o que dá fôlego para os investimentos prometidos.
“Este é um momento decisivo para que a economia taiwanesa passe por uma grande transformação”, declarou o presidente Lai Ching-te.
Semicondutores no centro da disputa tecnológica
O acordo complementa o pacto-quadro de janeiro, que reduziu a tarifa de chips taiwaneses de 20% para 15%, equiparando-os aos produtos da Coreia do Sul e do Japão. Na época, Taipé prometeu US$ 250 bilhões em investimentos diretos em solo americano, sendo US$ 100 bilhões apenas da Taiwan Semiconductor Manufacturing Company (TSMC).

De janeiro a novembro de 2025, o déficit comercial dos EUA com Taiwan saltou para US$ 126,9 bilhões, impulsionado pela compra de semicondutores de alto desempenho para inteligência artificial. Analistas apontam que a nova rodada de concessões busca justamente equilibrar essa balança e blindar cadeias críticas diante da tensão geopolítica com a China.
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Crédito da imagem: Divulgação / Reuters
