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segunda-feira, março 16, 2026

Acordo UE-Mercosul avança com apoio da Itália

Acordo UE-Mercosul avança com apoio da Itália

Acordo UE-Mercosul avança com apoio da Itália – O governo de Roma indicou que votará favoravelmente ao tratado comercial na reunião do Conselho Europeu desta sexta-feira (9), passo que pode encerrar mais de 25 anos de negociações entre os dois blocos.

A mudança de posição ocorre após ajustes no texto para ampliar salvaguardas a produtores agrícolas europeus, principal demanda italiana.

Por que o voto italiano é decisivo

Para ratificar o acordo, a União Europeia precisa de maioria qualificada: apoio de ao menos 15 países que representem 65% da população do bloco.

A Itália, terceira maior economia da UE, detém peso populacional que pode garantir esse quórum ao lado de Alemanha e Espanha — ou barrar o processo se alinhar-se à França, contrária ao pacto.

As novas salvaguardas agrícolas

O texto final reduziu de 10% para 5% o gatilho de crescimento das importações que permite reativar tarifas sobre produtos sensíveis, como carne bovina e aves.

O prazo de investigação caiu de seis para três meses, podendo chegar a dois em casos urgentes. Além disso, adotou-se a “presunção de prejuízo”, flexibilizando a comprovação de dano econômico.

Ganhadores e perdedores

Estudo da Comissão Europeia estima que o acordo possa economizar aos exportadores europeus cerca de € 4,4 bilhões anuais em tarifas, enquanto abre o mercado de 450 milhões de consumidores sul-americanos a bens industriais da UE. Já agricultores de países como França e Irlanda temem concorrência de produtos latino-americanos mais baratos.

Segundo dados oficiais, o comércio bilateral UE-Mercosul somou € 88 bilhões em 2024, tornando o bloco europeu o segundo maior parceiro da região, atrás apenas da China. A Comissão Europeia detalha os impactos econômicos esperados com a eliminação de tarifas em até 92% dos produtos.

Próximos passos

Se aprovado pelos embaixadores nesta sexta, o texto segue para análise dos Parlamentos nacionais e do Parlamento Europeu. A expectativa é que a aplicação provisória comece ainda em 2026, liberando imediatamente grande parte das preferências tarifárias.

No Mercosul, Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai já concluíram a revisão jurídica (legal scrubbing) do documento. A sinalização positiva da Itália também reforça a estratégia brasileira de diversificar mercados e reduzir a dependência de commodities vendidas à Ásia.

Caso a ratificação seja confirmada, será criada a maior zona de livre comércio do mundo, responsável por 31% do PIB global.

Para acompanhar as futuras etapas da tramitação internacional, acesse nossa editoria de Mundo.


Crédito da imagem: Divulgação / Reuters

Marta Silva
Marta Silva
Atuo como jornalista independente, desenvolvendo conteúdos informativos com olhar crítico e apuração responsável. Meu trabalho é guiado pela busca por fatos relevantes, contexto claro e informação confiável para o leitor.
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